Opinião: O futebol brasileiro precisa se reinventar

Deveria iniciar o texto falando sobre o curioso caso de uma seleção pentacampeã que já encantou e não mais encanta. Deveria, mas não vou. Não vou porque esse texto vai além do que falar sobre a Seleção Brasileira e a derrota para a Argentina. É para o futebol brasileiro como um todo. E, para nós, torcedores desse tão amado esporte. 

Quando nosso time perde, preparamos uma lista do que é preciso fazer. E já parou para pensar que em todas elas, mesmo que não pareça, a palavra mudança está inclusa? Você pode optar por falar em mudança quando cita a demissão do técnico ou quando diz que o esquema tático não mais funciona. “É preciso mudar a zaga” ou “É preciso mudar o meio-campo”. É tão comum que nem percebemos quando a citamos.

A mudança é tão viva no futebol que costumo brincar que sou bastante tranquila com ela, mas basta aquele excelente jogador do time sair, que eu demoro a acostumar. E também é através dela que podemos chegar ao topo ou a uma queda brusca. 

Quando cito a mudança, não falo só de janela de transferência, esquema tático, comissão técnica. Falo também sobre mudar e redescobrir, reinventar. Falo também sobre o sentimento que a Seleção Italiana carregou no peito ao longo desses anos. Sobre a queda e sobre a vitória. 

E por que citar a Azzurri? Vejamos, quando olhamos o futebol hoje, temos noção de que ele mudou. E que ele muda todos os dias. Acompanho todos os dias, de domingo a domingo, o meu time e o seu. E nós sabemos que ele muda.

Quem diria que aquele empate contra a Suécia em 2017, que deixaria os italianos de fora da Copa do Mundo da Rússia, levaria ao renascimento italiano e a conquista da Eurocopa?

É, o futebol italiano vivia tempos sombrios. Quedas em fases de grupos da Copa, as tradicionais equipes de futebol do país atravessavam uma decadência, com exceção do domínio da Juventus, e Pep Guardiola surgia com um novo conceito de posse de bola. Não estava fácil.

Foi depois da queda de 2017 que precisou mudar. E eles mudaram. De pouco em pouco, degrau a degrau. No fim de 2019, Roberto Mancini já demonstrava confiança no elenco quando disse tais palavras em uma coletiva: “Estamos felizes por dar uma identidade à equipe, que joga um futebol ofensivo e ao mesmo tempo defende relativamente bem. Nós temos quase um ano antes da Euro, temos que melhorar, mas o objetivo é vencer.”

E olhando agora, o anteontem e o hoje, pensamos: o que falta para o futebol brasileiro voltar a brilhar?

Estamos atrasados. Sim, estamos. Mas podemos mudar e precisamos mudar. Precisamos nos reinventar, redescobrir, renascer. Precisamos estudar e olhar para além do monetário. Precisamos agir.

Trazer o futebol para perto do povo. Trazer a identidade, a paixão, a massa que tanto grita e ama esse esporte para mais perto. Precisamos entender que o futebol muda e nós vamos mudar com ele também. Se é um esporte em equipe, trabalhamos em equipe. Torcida junto ao time. 

Mas precisamos também entender que, algumas vezes, precisamos agir mais com a cabeça do que com o coração. Precisamos deixar de ser tão impulsivos, de querer tudo “para ontem”. E precisamos entender que devemos nos soltar do passado.

Não é mais tempo para pensar e ficar preso a ele. É hora de olhar para frente, agindo no presente e pensando no futuro. Essa talvez seja a primeira e mais simples mudança que podemos fazer.

A mudança talvez espante e sair da zona de conforto talvez nunca seja a primeira opção, mas é necessário. E de degrau em degrau, caindo e levantando, vamos aprender e nos reinventar. 

Foto de destaque: Catherine Ivill/Equipa/Getty Images

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