Opinião: Em tempos de pandemia, os convidados aos estádios são essenciais

Só que não. Existe algum motivo para comemorar diante do atual cenário brasileiro?

O famoso caso de negligência atingiu a última partida entre Flamengo e Fluminense, pela primeira fase da final do Campeonato Carioca. Fato é que o Brasil acumula um injusto cenário de caos em uma crise sanitária que assola o mundo desde o início de 2020. Com uma vasta fila de vacinação e a demora pela 1ª dose em inúmeros brasileiros, o motivo de comemoração nos gramados seria exatamente qual?

Sim! O futebol é lindo, a emoção de cada jogo expõe o sentimento pelos respectivos times de coração de cada brasileiro apaixonado ou apaixonada pelo esporte. Uma final no Rio de Janeiro, então! Quem não sente saudade de um Maracanã cheio, em um domingo à tarde e fazendo jus à fama da grandiosidade de duas grandes torcidas cariocas?

Apesar disso, creio que o sentimento de empatia não é um termo muito utilizado pelos dirigentes responsáveis pela presença de convidados em certas decisões. O que se vê é um dominante negacionismo nas gestões desportivas. Quantos entes estão em uma fila à espera de um leito em hospitais? Quantas pessoas já perderam a vida? No país, são exatamente 437 mil óbitos, um montante que, infelizmente, aumenta a cada dia. 

Antes de tudo, vamos relembrar um jogo o qual também foi marcado pela presença não só de convidados, mas de muitos torcedores. 

Aglomeração dos torcedores do Santos no último mês de janeiro. Foto: Mauro Pimentel/Reuters

No dia 30 de janeiro deste ano, a final da Libertadores entre Palmeiras e Santos protagonizou um jogo morno e sem muitos atrativos. Entretanto, alguns dos que estavam presentes não consideraram tais fatores, já que depois de meses os 5 mil sortudos tiveram a chance de presenciar uma disputa pelos seus clubes de coração.

De volta ao último domingo (16), o jogo de ida da final do Carioca 2021 foi só mais um em meio aos quereres dos representantes de comemorar o desfecho de um campeonato. A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) calculou 148 convidados, dentre eles: 114 do Flamengo, patrocinadores, funcionários da TV Record e da Secretaria de Esportes do Governo do Rio e algumas pessoas do Fluminense. 

O tricolor carioca foi contra a presença de torcida na final. Além disso, já houve casos – ainda neste ano – de dirigentes que levaram parentes para o Maracanã no Campeonato Carioca do ano anterior. 

Mesmo assim, a Ferj insiste em querer liberar para o próximo jogo (23/05) 18 mil torcedores, como prevê seu protocolo. Em nota, a Federação justifica tal medida:

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro está surpresa com o conteúdo jornalístico recém publicado, a respeito do possível veto da volta de percentual do público no segundo jogo da final do Campeonato Carioca, entre Flamengo e Fluminense, no próximo sábado, às 21h05, marcada para o Maracanã, principalmente pelo motivo.

Após reunião virtual com o secretário de saúde, Daniel Soranz, e secretário de esportes, Guilherme Schleder, na quinta-feira, expostas as diretrizes, conceitos, concepções, argumentos e elementos técnicos e científicos, apresentados pelo o chefe do departamento médico do Flamengo, Marcio Tannure e pelo próprio presidente da FERJ, Rubens Lopes, também médico e afeto à especialidade de doenças infecciosas, e ainda com a presença do CEO do Maracanã, Severiano Braga, no esclarecimento das ações operacionais do protocolo Jogo Seguro, outros documentos foram acrescentados, a pedido, e encaminhados ao Secretário Soranz ao início da noite de sexta-feira, pouco antes das 20h, onde constavam o protocolo da UEFA, o protocolo do Maracanã e um conjunto de 14 lâminas em conteúdo explicativo.

Ainda sob o impacto da surpresa da possível justificativa, convém afirmar que há mais de um ano a FERJ e o Maracanã têm trabalhado permanentemente nas adequações e preparo do estádio para manter a biossegurança dos seus usuários e receber o público de igual forma – percentual público, pois além de maior casa de show do Rio de Janeiro e como tal tem como peculiaridade de ser arejado, aberto e não confinado.

Em relação às medidas sanitárias e ações de prevenção, biossegurança, protocolos e diretrizes, o futebol do Rio de Janeiro, há mais de um ano tem servido de exemplo à sociedade, a outras cidades, estados e até países da América do Sul, da sua responsabilidade e capacidade de cuidar da saúde, com tamanho cuidado e ações, até mesmo com práticas que ultrapassam as preconizadas pela OMS e MS como satisfatórias, ou ainda as minimamente aceitas para diversas outras atividades já liberadas.

Acreditando ter havido alguma precipitação ou equívoco na marcação da penalidade, estamos chamando o VAR.” 

Vamos todos juntos chamar o VAR? 

Em atualização à imprensa, a tendência é de que não haja convidados na próxima partida a fim de evitar conflitos com a Prefeitura do Rio de Janeiro. Entretanto, nota-se que para muitos, nada acontece no Brasil para milhares de cidadãos nacionais. 

Seria, com isso, hipocrisia dos convidados – os quais marcam presença em finais afirmar – que são contra aglomerações. Ou futebol é exceção? Assim como a Ferj, vamos chamar o VAR para a falta de empatia e de responsabilidades de tais dirigentes?

Foto de destaque: Reprodução

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