O efeito da internacionalização da Premier League na Seleção Inglesa

Além de serem considerados os inventores oficiais do futebol, tornaram-se o principal centro de futebol com o sucesso que a Premier League faz em todos os aspectos, mas nem sempre foi assim

A Premier League, hoje, é o principal campeonato nacional de futebol, virando o símbolo do futebol moderno. Com audiência explodindo dentro e fora da Terra da Rainha, os ingleses conseguiram transformar um campeonato nacional em um produto de extremo sucesso tanto no mercado esportivo quanto fora dele. Um dos principais traços que tornam a Premier League um símbolo do futebol moderno é a multiculturalidade, presente nos atletas, técnicos e ideais estrangeiros que tornam o futebol inglês mais plural. 

Como os ingleses costumam sempre valorizar o produto nacional, a grande maioria dos jogadores que atuam na Seleção Inglesa também atuam no futebol inglês. Na Copa do Mundo de 2018, todos os 23 convocados jogavam no campeonato nacional. Mas não eram só eles. Ao todo, foram 114 dos 576 jogadores convocados para a competição. 

A grande verdade é que, quem vê o futebol inglês hoje, nunca imaginaria que a Premier League salvou o futebol local de uma crise, justamente por não ser plural o suficiente.

I need somebody help

Foto: Maja Moritz/Bongarts/Getty Images

A história do futebol inglês é uma das mais ricas que tem. Afinal, é o país que primeiro documentou a palavra “futebol”, casa do clube antigo, da competição mais antiga e a primeira nação a ter uma liga de futebol. Desde suas raízes medievais no século 13 até a criação do primeiro clube, em 1863, a Inglaterra é considerada a casa do futebol por muitos. 

Esse esporte teve duas grandes crises na Terra da Rainha que mudaram completamente o percurso dele no país. A primeira delas aconteceu pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando os clubes ficaram por um tempo fechados. Além deste período, o desastre aéreo de 1958, que causou a morte de oito jogadores do Manchester United, que era uma das maiores potências, juntando com o fiasco da Copa do Mundo de 1950, deixava o país na lama. A situação só veio melhorar com a modernização do esporte e o título mundial de 1966.

Porém, mais uma crise os colocou em apuros. Em 1985, no auge de seu futebol, o Liverpool jogava sua quinta final em nove temporadas de Champions League. Antes do jogo começar, um grupo de torcedores arrumou confusão ao invadir uma zona exclusiva de torcedores da Juventus, provocando pânico e o colapso de um muro do estádio. A confusão provocou a morte de 39 pessoas e ferimentos a outras 600.

Além da crise dentro de campo, os tempos eram sombrios fora dele também. O cenário político de recessão, a crise econômica, as greves e altos índices de desemprego, os ingleses descontavam tudo no futebol. A violência dentro dos estádios fez os times ingleses serem ainda mais punidos e o público foi perdendo o interesse. Como diria o sucesso da banda The Beatles, o futebol inglês precisava de ajuda.

A resposta veio de fora, mas o resultado ficou

Foto: Divulgação/Seleção Inglesa

A Premier League foi criada justamente para reformular o futebol na Terra da Rainha. Ver a Itália no seu auge a partir dos anos 80 e Espanha e Alemanha captando jogadores nos países vizinhos fez o país, finalmente, abrir os portões. De 1930 a 1978, o Campeonato Inglês estava fechado para estrangeiros, com exceção para os criados no Reino Unido.

Mesmo que no começo os estrangeiros apareçam com mais timidez, o cenário começou a mudar quando a Inglaterra ganhou mais competitividade econômica e entrou na rota de craques e técnicos de outros países. Holandeses eram acompanhados por franceses e italianos na linha de frente desta abertura do mercado e, com as novas ideias e novos jeitos de jogar, o estilo de jogo dos ingleses foi mudando com o tempo. 

Mas como isso chegou à Seleção principal? Fácil. As categorias de base também adotaram esse novo jeito de jogar e a nova geração já vem preparada. O Elite Player Performance Plan, criado em  2011, veio justamente para isso. O plano envolve jogadores dos nove aos 23 anos e faz com que clubes não possam captar jogadores antes dos 17 anos. Isso faz com que os atletas fiquem espalhados e não concentrados em um clube só. Além disso, a Federação Inglesa criou a regra de utilização de pelo menos oito jogadores formados na Inglaterra em um elenco de 25, não importando se o atleta é inglês ou não. 

Além do belo trabalho na base, os resultados aparecem e tornam a Seleção principal muito mais  diversa também. Os Three Lions devem ser representados em 2022 por jogadores com ascendência imigrante, principalmente de países africanos, e criados em zonas mais industriais inglesas, onde prevalece o futebol de rua. Nomes como Jadon Sancho, Tammy Abraham, Aaron Wan-Bissaka, Callum Hudson-Odoi, Trent Alexander-Arnold, Marcus Rashford, Declan Rice e Harry Kane serão os que provavelmente guiarão os Three Lions rumo ao segundo título mundial.

É bem verdade que questões políticas podem mudar esse cenário, com o Brexit colocando em xeque algumas premissas vigentes na liga ao longo dos últimos quase 30 anos. Mesmo assim, a Inglaterra prova que o bom trabalho pode ser feito na base e no profissional e que o futebol moderno pode ser popular, sem deixar suas raízes de fora.

Foto de destaque: Divulgação/Seleção Inglesa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s