Agora é com elas

Dia 08 de março é considerado o Dia Internacional da Mulher. Um dia de comemorações e homenagens ao redor do mundo, das lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres. O dia que a sociedade escolheu para reconhecer o trabalho de uma vida inteira de lutas diárias por um espaço e lugar de fala. E os outros 364 dias do ano? A gente que corra atrás

Ser mulher na sociedade em que vivemos é um desafio diário. Apesar dos avanços diários de direitos e leis que diminuem relativamente a desigualdade de gênero, ainda temos que conviver com diversos problemas, como a pouca inserção no mercado, a desigualdade em cargos e salários, falta de respeito com os inúmeros casos de assédio e violência.

A realidade em que vivemos hoje no futebol não foge muito disso e isso é reflexo de sua história. No início, os esportes que tinham contato físico eram praticados somente por homens. Por que? Por conta da crença de que as mulheres não tinham porte físico para praticá-los e que esses esportes “masculinizavam” os seus corpos. Apesar destes conceitos serem provenientes da Grécia antiga, não precisamos voltar tanto a “máquina do tempo” para encontrar as consequências originadas por tais pensamentos. Fomos proibidas por 40 anos, inclusive por lei, de praticar esportes. Fomos proibidas de ser quem somos.

Graças a muita luta e resistência, a realidade é outra. Hoje vemos cada vez mais mulheres conquistando espaço, não só no esporte, mas fora dele. O Rainhas do Drible, não existiria se as primeiras mulheres não lutassem por inclusão lá no início. Esta mulher que está na foto em destaque, é Selma Al Majidi, a primeira mulher a treinar uma equipe de futebol masculino num país árabe. Claro que os avanços estão acontecendo, assim como na sociedade em que vivemos, mas não podemos parar por aqui. A estrada é longa e difícil, mas não estamos sozinhas nesta luta.

O mês de março não deveria ser um mês de comemorações, mas sim mais um mês de reflexão e conscientização. Reflexão e conscientização sobre a realidade de milhares de mulheres em uma sociedade extremamente machista. Um machismo velado todos os dias e escondido por uma rosa todo dia 8 de março.

Reafirmando o espaço que temos e a luta diária que é ser mulher na sociedades que vivemos, preparamos um especial com textos contanto histórias de mulheres que trabalham e convivem com o futebol masculino todos os dias. Trazer o olhar feminino de um ambiente majoritariamente masculino serve como exercício para rever muitas atitudes.

Que seja um mês de respeito. De reconhecimento da nossa luta diária. Que as histórias contadas aqui sirvam de reflexão sobre o espaço dado para a mulher no futebol e na sociedade. Que o dia 8 de março, finalmente, dure o ano inteiro.

Foto em destaque: Reprodução/FIFA

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