Raízes Negras: Ary Borges, das praias de São Luís aos campos do mundo

Atacante é destaque da última geração da Seleção sub-20 Canarinho convocada pela técnica Pia Sundhage para a Seleção principal

Ariadina Alves Borges nasceu em São Luís, Maranhão, e começou a brincar de jogar futebol nas areias das praias da capital maranhense. Aos 10 anos, mudou-se para São Paulo e o seu pai a levou para treinar na escolinha dos Meninos da Vila.

Meu pai, no começo, não levou muito a sério, ele é muito sincero com isso. Eu ia para a escola e à tarde tinha uma quadra perto de casa e eu sempre ia jogar. Um dia eu voltei para casa umas seis, sete horas da noite, ele já estava em casa e falou assim para mim: ‘ah, eu te vi jogando lá na quadra, é legal, eu vou te levar em uma escolinha dos Meninos da Vila’”, disse em entrevista a Goal.

A partir disso, Ary passou a levar o futebol muito mais a sério e não somente como uma brincadeira diária. Além dela, havia mais duas meninas treinando na escolinha do Santos e ela teve que iniciar a prática juntamente com os garotos, com seu pai precisando assinar um termo de responsabilidade por conta das diferenças físicas entre ela e os meninos.

Da escolinha do Santos para o Centro Olímpico. Ary passou a jogar peneira com 90 meninas na categoria sub-15, com 11 anos, já que não existia categoria sub-13, e foi no Centro Olímpico que se profissionalizou.

A atacante jogou por dois anos no Sport Recife até aceitar a proposta do São Paulo no ano passado, onde foi destaque da equipe campeã do Campeonato Brasileiro feminino A-2. Atualmente, defende a camisa do Palmeiras.

Pela Seleção Brasileira, sua primeira convocação para a equipe principal foi em setembro deste ano. Ary Borges é uma atleta ativa na luta contra o preconceito e, em entrevista coletiva na Granja Comary, falou sobre o assunto.

Quando falo sobre esses assuntos, muito sobre racismo, que é algo constante nos últimos dias, saio um pouquinho do lado Ary como atleta e entro mais no lado Ary como pessoa, que acaba usando esse lado atleta para influenciar outras pessoas a falarem sobre isso. Infelizmente, é por infelicidades que acontecem, por mortes, por casos de racismo no esporte, mas é bacana que mais atletas estejam se pronunciando. O futebol é o maior influenciador em nosso país. Há muito tempo o assunto merecia essa importância”.

Foto de destaque: Jardiel Carvalho/Folhapress

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