As problemáticas que envolvem o Campeonato Mineiro feminino fora das quatro linhas

A falta de transmissão e jogadoras pedindo dinheiro no semáforo são algumas das adversidades presentes na competição

Muitas ainda são as complicações enfrentadas pelo futebol feminino, apesar do existente progresso conquistado ao longo dos anos. Em Minas Gerais, isso não é diferente. E em meio aos papéis da Federação e clubes, os presentes problemas com a categoria se evidenciam durante ocorrência de competições, como é o caso do Campeonato Mineiro feminino 2020.

A realidade é que o futebol feminino mineiro não é uma referência nacional e não é pela qualidade das jogadoras, pois isso elas têm e muito, mas sim pelo trabalho dos responsáveis pelo funcionamento e organização da categoria em Minas Gerais, como a Federação Mineira de Futebol e determinados mandatários de seus respectivos clubes.

América, Atlético e Cruzeiro, as três grandes equipes da capital, vêm desenvolvendo um trabalho importante, entre falhas e acertos, com a categoria. Um trabalho recente que requer paciência, persistência e vontade em melhorar. Para isso, é valoroso que os erros sejam reconhecidos e, consequentemente, consertados.

Diferentemente de equipes como o Ideal/Ipatinga, os três grandes times da capital, em tese, têm à sua disposição uma boa estrutura financeira para o funcionamento do projeto com o futebol feminino. Apesar do empenho de pessoas envolvidas com a categoria, o Ideal/Ipatinga enfrenta sérios problemas financeiros para se manter na competição.

Na última semana, as jogadoras do Ideal/Ipatinga se reuniram no semáforo para a arrecadação de dinheiro para passagem. Ainda na mesma semana, elas teriam de ir para Belo Horizonte enfrentar o América. As informações foram apuradas pela jornalista Natália Andrade.

Nesta quarta-feira (02), mais uma vez as jogadoras foram para o semáforo em busca da arrecadação. A equipe viaja amanhã (03) para Belo Horizonte, para encarar o Atlético na próxima sexta-feira (04). A ação foi registrada ao vivo por meio do Instagram do Ideal. A pergunta que fica é: onde está a Federação Mineira nesse momento e por quê a equipe não está recebendo o devido apoio da mesma?

Além da arrecadação no semáforo, o time criou um vaquinha online, já que é preciso custear as despesas existentes para o restante da competição, como hospedagem, alimentação e exames de Covid-19, segundo afirmação da treinadora do Ideal/Ipatinga, Ketheleen Azevedo, em uma reportagem do GE. A vaquinha da equipe pode ser acessada por meio deste link.

É uma ação necessária, digna e que merece ser ajudada, mas em um momento no qual a equipe deveria estar concentrada e se preparando, somente, para a partida em si, está buscando o que deveria ser garantido a ela, tendo em vista todas as adversidades. E essa não é uma realidade singular, pois diversas outras jogadoras possuem as mesmas dificuldades.

Uma das outras falhas existentes na competição é a transmissão. Segundo o regulamento da Federação Mineira, quanto ao Campeonato Mineiro feminino, a realização das transmissões, por meio da TV ou internet, deve ser autorizada pela mesma. Caso contrário, o clube mandante vinculado e veículo estão sujeitos a uma multa.

Seria mais interessante a FMF estar por conta da transmissão do campeonato, que poderia ser realizado, por exemplo, pela MyCujoo, mas a transmissão fica sob responsabilidade dos clubes. Dessa forma, os jogos com o mando do Ideal/Ipatinga, que dentre as equipes participantes possui uma estrutura financeira restrita, estão sendo transmitidos por um canal do YouTube chamado Esporte Online.

A partida com o mando do Atlético foi transmitida pelo canal oficial do YouTube do clube, a TV Galo. Até então, o Cruzeiro não foi mandante em nenhum jogo, portanto, não se sabe se o clube transmitirá as partidas da equipe. Já o América, que foi mandante em duas oportunidades, não teve suas partidas diante do Ideal/Ipatinga e Cruzeiro transmitidas.

Além da questão da visibilidade e espaço, a ausência da transmissão dos jogos, por parte daqueles que possuem condições para realizá-la, demonstra desvalorização com o futebol feminino e os times. O trabalho daqueles que cobrem a categoria em Minas Gerais tem sido muito dificultado.

Outros pontos que valem a pena relatar são que o campeonato não prevê premiações em dinheiro, o que seria muito valoroso, não existe um quadro móvel completo e o regulamento da Federação não fala sobre a anulação do campeonato por conta da Covid-19, justamente em meio à pandemia.

O trabalho realizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF) e alguns clubes com a categoria é uma referência nacional, que vale ser seguido. Isso não quer dizer que a mesma não comete erros e que não existam questões para melhorar, mas, aparentemente, os mesmos procuram ser consertados e um exemplo é a situação do CATS.

Adversidades existem e merecem ser olhadas com atenção, assim como as boas referências.

Foto de destaque: Tarciane Vasconcelos/Inter TV dos Vales

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