Internacional sofre com perda de identidade ofensiva

Com um jejum de seis jogos sem vitória, mudança na filosofia tática evidencia a importância do técnico para o futebol

O Internacional empatou com o Atlético-GO em um jogo sem gols na noite do último sábado (28), no Antônio Accioly, em jogo pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com Rodrigo Moledo expulso com dois cartões amarelos e Thiago Galhardo perdendo pênalti, o Colorado levou a pior em campo.

A situação que o Internacional vive é um grande caso de perda de identidade. O time de Coudet foi montado para atuar com a marcação alta, sem deixar com que o adversário se organize. O treinador cobrava a mentalidade vitoriosa, que o time permanecesse focado em buscar o gol até o final da partida. A equipe tinha uma postura além da reativa e muito distante da passiva, vista no jogo contra o Fluminense. O Internacional de Coudet sabia controlar a partida e raramente recuava sua marcação.

Todavia, parece estar retrocedendo. Eduardo Coudet escolheu treinar o Celta de Vigo, um time na lanterna do Campeonato Espanhol, com a premissa de salvá-lo do rebaixamento, enquanto com o Internacional o treinador estava com uma campanha já estruturada, visando títulos como Libertadores.

Por que? Estaria o mercado do futebol brasileiro tão desvalorizado frente aos outros, principalmente ao europeu? Ser o salvador de um clube possui mais prestígio do que ser campeão da maior competição sul-americana? Possivelmente todas as opções anteriores.

Entretando, o maior questionamento que deve ser feito é a escolha de Abel Braga como novo técnico do Inter. A identificação com a torcida é uma grande justificativa, o histórico de conquistas do treinador também, porém, se formos avaliar os últimos trabalhos de Abel, a escolha me parece equivocada.

O técnico não conseguiu organização tática com o Vasco da Gama; não conseguiu evitar que a crise que se instalou no Cruzeiro tivesse reflexos dentro de campo, que levaram o time mineiro ao rebaixamento; e, mesmo quem defende a passagem de Abel Braga no Flamengo como percursor da campanha vitoriosa de Jorge Jesus, evidenciava a instabilidade da equipe sob seu comando.

Abel Braga tem uma filosofia muito diferente da antes implantada no Internacional. O estilo de Abel prevê um time trabalhando com as linhas mais baixas e incomodando menos o adversário. Por ser um treinador conservador, costuma apresentar uma certa resistência a estilos de jogo mais destemidos e dificulta a evolução ofensiva da equipe, justificando o jejum de gols.

O Internacional mostra oscilações que ocasionaram a perda da liderança no Brasileirão e a desclassificação na Copa do Brasil. O clube já registra seis jogos sem vitórias e seu próximo confronto é com o Boca Juniors, no início das fases decisivas da Libertadores.

Foto de destaque: Ricardo Duarte

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