Raízes Negras: Daiane Limeira, de Uberaba para o mundo

Em mais um texto do especial Raízes Negras, trazemos uma história bem brasileira, mas um pouco desconhecida do público. Daiane Limeira Medeiros Santos Silva nasceu em Uberlândia, em setembro de 1997. Desde pequena, viu o futebol como uma possibilidade de ascensão social para a numerosa família. São 22 irmãos, sendo que 19 deles ainda vivem com os pais na cidade do interior mineiro.

O que parece mais uma história de superação, se confundindo com a maioria das atletas do futebol feminino brasileiro, é a história de Daiane Limeira, zagueira da Seleção Brasileira e do Real Madrid.

A infância difícil

A zagueira é a filha número 12 do casal Edleuza e José Carlos. No total, são 23 filhos. Não foi fácil. Mas o que nunca faltou naquela casa de três quartos foi o amor, que é marca registrada estampada no sorriso da família inteira. Hoje, com 23 anos, a jogadora consegue ajudar os pais e os irmãos que permanecem morando em Uberlândia e já tem uma carreira muito bem construída no futebol feminino dentro e fora do Brasil.

Mesmo depois de todas as batalhas que viveu dentro e fora de campo, Daiane transfere o salário para Uberlândia a cada dois meses para ajudar nas despesas dos pais e sua família. “Desde o início eu queria sempre ajudar meus pais, minha família, principalmente depois que comecei a jogar fora do Brasil. Hoje eu posso dizer que consegui realizar esse sonho e isso é a coisa mais gratificante que o futebol me deu. Comprar a casa é outro objetivo que, se Deus quiser, vamos alcançar em breve. A vontade de querer ajudar minha família sempre foi o que me deu força na carreira e nunca me permitiu desistir”, disse a zagueira em entrevista ao ‘Globo Esporte’.

A carreira mais que promissora

A história de Daiane no futebol começou como a de muitos outros atletas: nas ruas. Ela começou a jogar futebol muito cedo, com seus irmãos e vizinhos, até que um vizinho viu algo diferente na menina e decidiu a levar para um teste na escola do Flamengo em Uberlândia. Apesar do time só ter meninos, o técnico também gostou muito do que viu e topou treiná-la.

Mesmo diante de vários medos e inseguranças, Daiane saiu de casa em 2013 para viver de futebol. Seu primeiro destino foi o sul do Brasil, para o Avaí Kindermann, onde estreou como profissional. Já em 2014, além de Daiane jogar futebol pelo Joinville, ela também migrou para o futsal no time sub-17 da Associação Desportiva 3R’s.

Foi em sua passagem no XV de Piracicaba que sua posição foi trocada de atacante para zagueira. Ela se deu tão bem na nova posição que atraiu atenção dentro e fora do Brasil. Na sua passagem pelo Rio Preto, em 2016, o time ganhou o Campeonato Paulista e foi até a final do Campeonato Brasileiro, perdendo para o Flamengo.

A carreira internacional começou em 2017, com a transferência para o Avaldsness Idrettslag, da Noruega. Nele, participou de sua primeira Champions League e ajudou a escrever a história do primeiro título da Copa Norueguesa feminina do time. Depois de uma temporada, assinou contrato de três anos com o PSG. E, para finalizar, desde 2019 está ajudando a escrever história com o primeiro time profissional do Real Madrid.

O sonho realizado na Seleção

A história de Daiane com a Amarelinha começou em agosto de 2015, quando foi chamada para a Seleção sub-20. Na base, ela competiu na Copa do Mundo feminina sub-20 em 2016, que aconteceu na Papua Nova Guiné, e foi nomeada a melhor jogadora da partida no empate contra a Suécia em 1 a 1.

Na Seleção principal, ela fez sua estreia ainda com Vadão no comando, em 2018, na vitória por 7 a 0 contra a Bolívia, na Copa América feminina. O título, com campanha invicta, qualificou a Seleção para a Copa do Mundo feminina de 2019, na França. Daiane também marcou presença no time do Torneio das Nações, que aconteceu entre julho e agosto de 2018.

Sobre a sensação de jogar com atletas que sempre admirou, Daiane não esconde a empolgação. “Poder estar lá e jogar ao lado de pessoas que sempre admirei, como Cristiane, Marta, Formiga, Érica, Andressinha, foi a coisa mais incrível que eu vivi e sonhava desde criança. Nos últimos dois anos as coisas aconteceram muito rápido. Sou muito grata por tudo, por ter evoluído meu futebol, sendo humilde sempre”, disse a jogadora em entrevista ao ‘GE’.

Na Copa do Mundo de 2019, Daiane não estava na convocação inicial, mas foi chamada com a lesão de Érika. Sobre a experiência, a jogadora disse que foi um sonho realizado. “Foi um ano de muitas conquistas, espero que em 2020 seja muito mais. Tem a Olimpíada também, que é outro sonho de criança. Tenho que almejar títulos, vitórias e conquistas. Que seja um ano de muito sucesso”, analisou a jogadora.

Família. Sucesso. Conquistas. Essas três palavras resumem muito a vida de Daiane Limeira, uma zagueira brasileira que não deixou que as dificuldades abalassem sua carreira. Daiane é o passado, o presente e o futuro que, por sinal, será muito promissor.

Foto de destaque: Divulgação/CBF

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