Raízes Negras: Aranha, do gol para a luta contra o racismo

Mário Lúcio Duarte Costa, conhecido como Aranha, é um ex-jogador de futebol que atuava como goleiro e hoje é colunista dentro do UOL

Aranha teve sua formação dentro da Ponte Preta, do interior de São Paulo, ganhando seu apelido por conta do seu treinador Aílton Custódio na época em que o ex-goleiro treinava em uma escolinha de futebol em sua cidade natal, Pouso Alegre, em Minas Gerais.

Em 2008, Aranha foi considerado o melhor goleiro do Campeonato Paulista. A Ponte Preta disputou a final contra o Palmeiras, mas acabou perdendo. Seu contrato com o time de Campinas foi renovado por mais três anos.

Em 2009, teve uma temporada dentro do Atlético Mineiro e, em 2010, assinou contrato com o Santos. Em 2015, assinou contrato com o Palmeiras até o final do mesmo ano, mas atuou em somente um jogo. Em 2016, foi contratado pelo Joinville, na época pela Série B, retornando para a Ponte Preta para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2016 e 2017. No começo de 2018, foi anunciado pelo Avaí, mas seu contrato não foi renovado.

Racismo

Quando atuava como goleiro no Santos, o jogador sofreu um ato grave de racismo durante uma partida contra o Grêmio. Aranha foi chamado de “macaco” por vários torcedores do time rival no momento do jogo. Câmeras da transmissão gravaram o momento exato das ofensas. No mesmo ano, o jogador voltou à Arena do Grêmio e foi extremamente vaiado por parte da torcida.

Isso gerou campanhas educativas buscando abolir o termo “macaco” de dentro das torcidas, uma vez que tal fato não havia sido o primeiro. Muitos jogadores e até mesmo dirigentes nunca enxergaram Aranha como vítima. Alguns até o culparam de ter causado um alarde que, mais tarde, eliminaria o time do campeonato, algo que não foi surpresa dentro do contexto.

Por diversas vezes, vítimas de injúrias raciais são vistas como algo que não seria tão grave assim. A única reação do jogador foi tentar lutar contra o racismo tão frequente dentro dos campos.

Novamente, o futebol reproduziu a noção de que a vítima seria a culpada. Muitos chegaram até a “perseguir” o goleiro, colocando câmeras específicas que acompanhariam cada gesto dele, sendo até criticado por não aceitar um simples pedido de desculpas formal, mas por esperar com que algo efetivo fosse proposto. Ele foi chamado de “macaco”, “encenador” e “mentiroso”, desmerecendo sua luta, que foi hostilizada.

E em contextos atuais, tratar casos como o do goleiro Aranha da forma que foi tratado, não deve ser tolerado nunca.

Foto de destaque: Ale Cabral/Lancepress

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