Raízes Negras – Bárbara: do gol por contusão ao gol da Seleção

Conheça, neste texto, a história e a trajetória profissional da goleira Bárbara

Um jogador de futebol profissional do Íbis, de Pernambuco, tinha um sonho: ter uma filha, ensiná-la a jogar e vê-la brilhando nos gramados. Descobriu que seria pai pela primeira vez, era um menino. Recebeu a notícia da segunda paternidade, outro menino. Avisou a sua esposa que ficariam tentando até vir uma menina.

No Recife, em 4 de julho de 1988, o sonho se concretizou, sua menina finalmente nasceu. Mal sabia ele que se concretizaria com grandeza e triunfo. Mal sabia ele que seria pai da goleira da Seleção Brasileira feminina Bárbara Micheline do Monte Barbosa.

O começo de tudo

Desde criança, a brincadeira de Bárbara era jogar com os irmãos mais velhos na quadra que ficava perto de sua casa. A família tinha uma regra: os irmãos só podiam jogar bola se a levassem junto.

Desde que começou no mundo da bola, Bárbara jogava na linha. Certa vez, foi jogar e estava com o pé machucado. Justamente nesse dia, um dos times precisava de alguém para defender o gol. Os amigos falaram para ela ir, mas a jogadora, a princípio, não gostou muito da ideia, até porque estava machucada.

Mesmo assim foi para gol e o time dela ganhou várias partidas. Ali, os amigos avisaram que nunca mais a escalariam para jogar na linha e que, se ela quisesse jogar, seria no gol. Ela teve que aceitar a “proposta” e, com o tempo, foi gostando da posição.

Bárbara jogava com os amigos em uma quadra que ficava na comunidade onde moravam. Certo dia, o treinador de uma escola particular, que fazia treinamentos no local, viu a menina jogando e perguntou se ela tinha interesse em jogar na escola em que ele trabalhava. Ofereceram-lhe uma bolsa de estudos para conciliar o esporte com as aulas.    

Pouco tempo depois, a escola fez um jogo-treino contra o Sport. O time de Bárbara perdeu por 8 a 0, mas se não fosse ela no gol, o placar teria sido maior. Nesse dia, o treinador do Sport elogiou o potencial da goleira e perguntou se ela gostaria de agregar sua equipe. Ela aceitou a proposta.

Trajetória

Bárbara foi atleta do Sport Clube Recife de 2006 a 2008. Em 2009, foi para a Suécia vestir a camisa do Sunnana SK, equipe que a goleira defendeu por um ano. Depois disso, voltou para o Brasil e defendeu o Sport até 2011, quando foi para o Foz Cataratas. Em 2013, se mudou para a Alemanha para atuar pelo BV Cloppenburg, que disputava a Bundesliga. Bárbara ficou na equipe por uma temporada e atuou somente em quatro jogos.

De 2014 a 2015, Bárbara defendeu o Kindermann, de Santa Catarina. Entre 2015 e 2017 teve passagens pelo São Caetano, Botafogo da Paraíba e Foz Cataratas. Em 2017, voltou ao time catarinense e hoje, com 32 anos, permanece na equipe que iniciou uma parceria com o Avaí, no ano passado.  

Goleira da Seleção

Em 2005, uma comissão da Seleção Brasileira sub-20 organizou um quadrangular para olhar as atletas e selecionar para a equipe. A goleira foi escolhida e, em 2006, participou da Copa da categoria, na Rússia, em que as brasileiras ficaram em terceiro lugar. Essa foi a primeira vez em que a atleta vestiu a Amarelinha.

Com a equipe principal, Bárbara ganhou:

  • Os jogos Pan-Americanos em 2007, no Rio de Janeiro;
  • Medalha de prata nas Olimpíadas de Pequim, em 2008;
  • Medalha de prata no Pan de 2011, em Guadalajara;
  • O Pan, em Toronto, no ano de 2015.

A goleira também teve papel fundamental nas Olímpiadas de 2016, no Rio de Janeiro. Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Austrália, no Mineirão, e o tempo normal e a prorrogação acabaram em 0 a 0, levando a disputa para os pênaltis. Marta perdeu a sua cobrança e abalou a equipe. Em seguida, Bárbara pegou o pênalti que eliminou as australianas por 7 a 6 e garantiu a vaga da Seleção na semifinal.

Contra a Suécia, o mesmo aconteceu. Placar de 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação. Na disputa das penalidades, a Suécia venceu por 4 a 3 e eliminou a Seleção da competição. A goleira sueca pegou as batidas de Andressinha e Cristiane. Bárbara ainda defendeu uma das cobranças, mas a vaga ficou com as adversárias.

Marta e Bárbara após a classificação nos pênaltis (Foto: Ricardo Stuckert/CBF)

Vale lembrar que a goleira também esteve presente nos Mundiais de 2007, 2011, 2015 e 2019, mas não conquistou nenhum título. E que foi relacionada na última convocação da técnica Pia Sundhage, para o retorno da Seleção aos gramados. Os próximos confrontos com a Amarelinha serão dois amistosos contra a Argentina, visando as Olímpiadas de Tóquio.

Curiosidades

  • Em 2016, Bárbara foi eleita a quarta melhor goleira do mundo pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS);
  • Fora dos gramados, a goleira exerce outra profissão: a enfermagem. Ela se formou pela UNIARP, em Caçador, Santa Catarina, no fim do ano passado. Inclusive, pediu dispensa da última convocação da Seleção no ano para se dedicar às provas finais da faculdade.
Bárbara exercendo sua profissão fora dos gramados (Foto: Reprodução/@barbaragol1)

Tive que abrir mão da última convocação do ano para estar aqui na faculdade e me dedicar aos últimos dias de estágio, últimas provas. Quis dar meu 100% para terminar o ano com o período da faculdade e uma nota muito boa”, disse a pernambucana na época.

Foto de destaque: Patrick Smith/Getty Images

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