Raízes Negras – Ludmila Silva: trajetória da atleta é sinônimo de luta e vitória

Existem várias Ludmilas, mulheres que superaram dificuldades e chegaram cada vez mais longe. O Rainhas do Drible tem orgulho de proporcionar voz a cada uma delas

O texto especial deste mês te convida a conhecer mais uma história. Ludmila Silva tem 25 anos e atua no Atlético de Madrid. Suponho que já tenha visto os momentos dela em campo, mas você sabe quantas situações a atacante passou fora dele? As raízes da jogadora vêm de Guarulhos, em São Paulo, e superação e força fazem parte do seu caminho.

Aos 16 anos, entrou no futebol profissional pelo Juventus, da Mooca. Jogou por outros clubes paulistas, mas foi ao chegar em São José que conquistou o título da Libertadores da América. Sua presença no futebol internacional, junto com a vaga na Seleção Brasileira, não foram à toa. Em 2014, ela conquistou o Sul-Americano Sub-20 pelo Brasil.

Na temporada de 2017/18, foi campeã espanhola com o Atlético de Madrid feminino. Disputou 27 jogos em seu primeiro período por lá, 21 foram como titular. Foram seis assistências e 12 gols, incluindo um pela Champions League. Em entrevista ao Lance!, Ludmila falou sobre sua reação ao ser convidada para vestir a camisa do Atlético.

“Foi uma proposta muito boa pra mim, não pensei duas vezes. Sabia que seria difícil, mas aceitei sem olhar pra trás. Nunca tinha pensado em sair do Brasil, sempre me considerei muito dependente, ainda mais por ser nova, sem muito conhecimento. Então, não esperava mesmo estar longe do meu país. Mas quando surgiu essa oportunidade, me deparei com a chance de mudar junto da realização de um grande sonho”, declarou.

Origem no atletismo e infância difícil 

Praticava atletismo na adolescência, mas o impulso na carreira veio através de outro esporte. Além de ser considerada um dos fortes nomes da atual geração do futebol, Ludmila também é exemplo na vida pessoal. Com família de origem humilde, ela perdeu o pai quando era criança. Ficou sob os cuidados de uma tia, e chegou a morar em um orfanato.

Os desafios fora das quatro linhas não pararam. A brasileira perdeu a irmã e a melhor amiga para as drogas, elas faleceram em 2016. “Foi um baque, mas pelo caminho que as duas acabaram escolhendo, eu estava me preparando para a possibilidade do pior vir a acontecer. Minha irmã também jogava futebol, então penso que estar jogando eu consigo realizar um sonho que também era dela”, afirmou Ludmila.

A luta contra o racismo e preconceito 

O Brasil é um dos países onde a maioria da população é negra, mas apesar disso, é notório o quanto a desigualdade ainda existe. Infelizmente, essa situação acontece em várias regiões, e Ludmila já viveu algo parecido. Em 2019, ela usou as redes sociais para denunciar o racismo velado que sofreu. O fato ocorreu em Madri, na Espanha.

Através da gravação divulgada no Instagram, é possível notar um segurança atrás dela. “É sempre a mesma coisa. Sempre que eu entro no mercado tem um segurança pra me vigiar. Não é brincadeira, não”, desabafou.

Casos como esse acontecem constantemente, por isso é essencial falar sobre pautas assim. O Rainhas do Drible abraça essa causa, afinal nós jogamos limpo, jogamos contra o time do preconceito.

Foto de destaque: Rener Pinheiro/MoWA Press

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