Paulistão feminino: FPF se manifesta e equipe do CATS recebe ajuda

O jogo entre Clube Atlético de Taboão da Serra e São Paulo, que aconteceu na última quarta (21), trouxe à tona a realidade enfrentada há muitos anos pelo futebol feminino no Brasil

fatídica partida da 2ª rodada do Campeonato Paulista feminino foi marcada não somente pelo resultado, mas também pelo desabafo da volante e capitã Nini Baciega, que nos mostrou o por quê não tem graça esse tipo de resultado e trouxe à tona novamente as discussões a respeito da desigualdade no esporte.

Infelizmente a gente usa a camisa do CATS, mas em pouca coisa o clube nos ajuda. É mais a vontade da comissão técnica mesmo. As atletas estão sem ganhar nada, ninguém tem salário, ninguém tem condução, a gente não tem roupa de treino, não tem apoio nenhum do clube. A gente simplesmente usa o nome do clube para participar do Campeonato Paulista porque acredita que é uma oportunidade para as meninas mais novas. Conseguimos um campo recentemente. Treinamos três dias antes do início do Campeonato Paulista, nesta semana tivemos mais dois dias de trabalho no campo. Então, é muito difícil jogar e posicionar taticamente contra um time do nível do São Paulo”, afirmou.

Em consequência do comentário da jogadora viralizar nas redes sociais, a equipe recebeu apoio e ajuda das jogadoras do São Paulo e também da Seleção Brasileira, que se comprometeram a ajudar com doações de materiais e criaram uma vaquinha virtual.

A Federação Paulista de Futebol (FPF), organizadora do campeonato, também se pronunciou na manhã da última sexta-feira (23). Em nota oficial, a entidade disse:

O resultado de São Paulo x Taboão da Serra é um duro episódio para o futebol feminino. A Federação Paulista de Futebol entende que, apesar de todos os avanços realizados nos últimos 4 anos na modalidade, algumas rotas precisam ser corrigidas. A FPF reconhece que um controle mais rigoroso poderia evitar a exposição negativa das atletas e da comissão técnica, ocasionada por um inadmissível descaso do clube com sua equipe. Nos solidarizamos com todo o time pelo espírito esportivo e respeito, evidenciados pela sensata e emocionante entrevista da capitã Nini”. 

Ainda conforme a nota, a coordenadora de futebol feminino da FPF, Ana Lorena Marche, visitou o Centro de Treinamento em Embu e prometeu que a equipe receberá ajuda com estrutura e materiais necessários e essenciais.

A FPF ainda destacou que, antes da pandemia, haviam 20 clubes para participar do Paulistão feminino, mas que o número diminuiu após o retorno do futebol, e apenas 12 equipes cumpriram as exigências para a disputa do campeonato. Entre os participantes, há clubes que disputam o Campeonato Brasileiro desde agosto e outros que não conseguem a mesma preparação. Em conclusão, a entidade garantiu que erros serão corrigidos e a luta pela evolução do futebol feminino seguirá.

Por fim, é importante comentar a respeito da foto destaque desta matéria. A imagem reflete o sentimento que todos nós, apaixonados por futebol, deveríamos ter com a categoria feminina deste esporte. Em resumo, ela mostra as jogadoras da Ferroviária fazendo um círculo de apoio às jogadoras do time de Taboão da Serra, após estas terem perdido para as meninas de Araraquara por 14 a 0 no último domingo (25), pela 3ª rodada do Paulistão. A foto mostra, acima de tudo, empatia e sororidade em tempos tão difíceis.

Foto de destaque: Reprodução/Facebook Watch

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