Treinador bicampeão paulista relembra com zagueira tricampeã a história das Sereias da Vila na competição

Kleiton Lima e Alline Calandrini relembram títulos paulistas das Sereias da Vila, as maiores campeãs estaduais

As Sereias da Vila começarão a corrida em busca do pentacampeonato paulista neste domingo (18), contra o Nacional, às 11h, no Ulrico Mursa, em Santos. Elas são as maiores campeãs estaduais e possuem uma brilhante trajetória na competição. Ao todo, somam quatro títulos paulistas: 2007, 2010, 2011 e 2018.

Conheça aqui parte dessa história com dois personagens que ajudaram a construi-la, o treinador Kleiton Lima, bicampeão paulista com o Santos, e a zagueira Alline Calandrini, tricampeã. Ambos com passagens pela Seleção Brasileira.

Kleiton Lima relembra bicampeonato com as Sereias da Vila

Sereias da Vila comemoram título paulista com o treinador Kleiton Lima, em 2010, no Ulrico Mursa, em Santos (Foto: Ricardo Saibun/Gazeta Press)

O bicampeonato, em 2007 e 2010, foi sob o comando do ex-treinador da Seleção Brasileira, Kleiton Lima. Avaliando a equipe das Sereias de 2007, ele disse ao Rainhas do Drible que era uma equipe bem jovem, com meninas que estavam entre 17 e 20 anos e que “praticamente conquistaram o país”.

“Nesse mesmo ano despontamos como o maior time do país, fomos também campeões da Liga Nacional e Copa do Brasil, com um grupo jovem, dedicado, unido e que veio para desbravar com a camisa do Santos, colocá-la em um patamar elevado, de número um do país”, acrescentou.

Segundo o treinador, o trabalho foi muito bem encaixado, não só na parte física como também na técnica e tática. Na época, a estrutura do Santos com o feminino ainda estava no início, mas, mesmo assim, muitas atletas despontaram como revelação do ano de 2007.

Kleiton Lima avalia 2010 como “outro cenário”. O técnico enxerga o elenco daquele ano como algo “recheado de jogadoras experientes” atrelado a meninas que faziam parte da Seleção Brasileira junto com ele. “A estrutura era melhor e mais avançada do que em 2007, nosso time tinha muita qualidade e demonstrava um futebol equilibrado em todos os sentidos”, disse KL.

Elenco das Sereias da Vila em 2010, comemorando o bicampeonato (Foto: Orlando Lacanna)

“Na parte técnica, éramos uma equipe que sabia construir as jogadas com muita perfeição. Um time muito bem treinado, com entrosamento e posse de bola. Tínhamos uma compactação dentro de campo que as adversárias não sabiam furar, explorávamos um futebol de muita transição, velocidade, compactado na parte ofensiva e defensiva, usando os terços do campo para construir e fazer um jogo bem apoiado”, acrescentou ele.

Foram duas equipes distintas, mas que conquistaram o Paulistão com muito preciosismo, muito merecimento e muita qualidade. Foram títulos que realmente marcaram a história”, relembra Kleiton Lima.

Em 2007, as Sereias da Vila fizeram a final contra o Jaguariúna que, para Kleiton, era uma espécie de Ferroviária dos dias de hoje. “Uma equipe do interior que tinha investimento, trabalho consolidado e com jogadoras tradicionais do futebol brasileiro. Elas eram comandadas pela Juliana Cabral, que foi capitã da Seleção Brasileira”, explicou ele.

O Santos venceu o primeiro jogo por 3 a 1 e, segundo o ex-treinador, essa partida foi uma “baita apresentação”. Para ele, a forma estruturada que as Sereias garantiram a vitória fez com que elas fossem para o jogo da volta, em Santos, com muita tranquilidade.

“Quando a gente jogou a final contra o Jaguariúna, sabíamos que, se a gente repetisse a mesma atuação do primeiro jogo, dificilmente perderíamos esse título, estávamos com uma confiança muito grande”, relembrou Kleiton Lima.

Em 2007, as Sereias da Vila venceram as duas finais e conquistaram o seu primeiro título paulista, consolidado com um gol de chaleira da meio-campista ‘Piquena’. “Foi um golaço que abrilhantou ainda mais o nosso título, fizemos uma festa muito grande, trabalho coroado com chave de ouro”, conta o treinador da época.

Festa santista com o título do Paulistão feminino, em 2007 (Foto: Ricardo Saibun/Gazeta Press)

O ano de 2010 foi do bicampeonato do Santos no Paulista feminino. Kleiton Lima enxerga essa conquista como algo diferente e mais difícil, já que apesar da vantagem do primeiro jogo e das Sereias terem a melhor campanha da competição, o desgaste físico poderia ter atrapalhado o triunfo santista.

“No intervalo entre o jogo de ida e o da volta, tivemos uma convocação da Seleção. Eu já estava lá e tinha muitas atletas comigo, foi em dezembro, fim de ano, tivemos um ano cheio de competições com o Brasil e o Santos, nossas atletas estavam no limite físico”, explicou ele.

“Elas sentiram um pouco do cansaço na partida de volta, não conseguiram fazer uma grande apresentação. O jogo em si acabou não sendo tão abrilhantado como o nosso time estava acostumado a fazer, porém, foi uma conquista importantíssima que deu ao Santos uma hegemonia no futebol paulista. Fomos campeões no Pacaembu e com a presença da nossa torcida”, acrescentou.

Sereias da Vila comemoram bicampeonato paulista no Pacaembu (Foto: Orlando Lacanna)

Kleiton Lima sente-se privilegiado por ter sido bicampeão paulista com as Sereias. Para ele, esses dois títulos com o Santos foram levantados com êxito. Na sua passagem pelo time feminino do Peixe, ele também foi bicampeão da Liga Nacional, bicampeão da Copa do Brasil e bicampeão da Libertadores.

“As conquistas das Sereias comigo foram sempre em dobro, por isso foi muito marcante. Já é importante ser campeão uma vez, imagine duas em cada uma dessas competições que são as mais expressivas do país. É muita glória, muita alegria e sem dúvidas alguma o trabalho foi coroado duplamente entrando para a história. Eu fico muito feliz de ter conquistado esses títulos com as Sereias”, concluiu o ex-treinador.

Zagueira tricampeã paulista com o Santos FC relembra momentos na competição

Alline Calandrini, ex-zagueira e capitã santista  (Foto: Divulgação/Santos FC)

Alline Calandrini foi tricampeã paulista com o time das Sereias da Vila nos anos de 2007, 2010 e 2011. Para ela, o campeonato é muito competitivo e foi o mais importante durante a história do futebol feminino.

“O Paulista, por muitos anos, foi o mais importante, vivíamos para ele. Única competição. Eu acho muito difícil de ganhar”, disse Calandrini, ex-zagueira do Santos e da Seleção Brasileira.

“Tínhamos a Copa do Brasil, temos o Brasileiro e mesmo assim o Paulista sempre foi o mais complicado de vencer porque os times mais fortes estão no Estado de São Paulo”, acrescentou.

(Foto: Divulgação/RV Sports)

Contudo, para ela, os anos de 2019 e 2020 fizeram com que os papéis se invertessem e o Brasileirão tornasse o mais competitivo. “Graças ao crescimento da categoria, e isso é muito bom! Olharmos o cenário do futebol feminino de uma maneira geral”, explicou.

Com o Campeonato Brasileiro, TV e transmissões, a categoria feminina no futebol está em alta e faz com que o ano de 2020 para a ex-jogadora seja muito especial.

A história do Paulistão feminino vem mudando ano após ano. No início de carreira da Alline, ainda não tinham times de camisas no cenário paulista. Porém, se engana quem pensa que as coisas eram mais fáceis para as Sereias por causa disso.

“Eu lembro muito do Botucatu e do Rio Preto, meu Deus! Era complicadíssimo ganhar desses times, eu tinha dor de barriga em jogar na casa delas”, relembra Calandrini.

A ex-jogadora e hoje jornalista e comentarista da ‘Rede Bandeirantes’ diz não saber se tem saudades dos tempos que jogava. Porém, sente alegria em ver esse crescimento e a chegada de novos times competitivos que, para ela, é muito mais interessante, principalmente para a visibilidade do esporte feminino no país.

Chama torcida, chama patrocinador, visibilidade etc. Vivemos na era da internet e das redes sociais, isso ajuda muito na visibilidade”, disse Alline Calandrini.  

Para ela, a diferença do Campeonato Paulista para as outras competições é que as melhores jogadoras jogam aqui. “Porque por muitos anos, era o único cenário da categoria. Quando eu comecei a jogar, me falaram: ‘tem que ir pra São Paulo’. Está longe de ser o ideal, porém, é o centro do futebol feminino”, explicou.  

Vale a pena destacar o trabalho que a Federação Paulista vem fazendo nos últimos anos, se as outras Federações agissem da mesma forma, a categoria seria melhor fomentada”, acrescentou.

Últimas conquistas no Paulistão feminino e atualidade

Em 2011 e 2018, o comando técnico das Sereias da Vila era outro. No ano do tri, o treinador era o Gustavo Feliciano e o elenco santista foi campeão por 2 a 1, na Vila Belmiro, com gols das sereias Karen e Erika, que faz parte da equipe santista até hoje.

No ano do tetracampeonato, quem comandava o time do Santos era a treinadora Emily Lima, que fez o primeiro jogo da final do Paulista na Vila Belmiro, com recorde de público: 13.867 torcedores, o maior número do estádio na temporada de 2018.

Torcida do Santos lota a Vila Belmiro em final do Paulista feminino de 2018 (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

O público viu as Sereias vencerem o Corinthians por 1 a 0, com gol da atacante Chú, e levar a vantagem para a decisão no Parque São Jorge, palco do título do Peixe. O Clássico Alvinegro ficou no empate por 2 a 2 e o resultado deu a vitória para a equipe santista, que consolidou a sua hegemonia no torneio.

Neste ano de 2020, a equipe santista é comandada pelo treinador Guilherme Giudice e ocupa a 2º colocação no Campeonato Brasileiro, atrás do líder Corinthians, adversário do último título paulista das Sereias. Elas estão classificadas para as quartas de final da competição e terão de conciliar com a sua estreia no Paulistão, que será neste domingo, diante do Nacional.

A transmissão da partida será feita pelo Facebook da Federação Paulista de Futebol e do Rainhas do Drible, que está na sua 23ª edição e conta com uma parceria inédita, feita pela FPF, com a rede social.

Sereias da Vila comemorando o tetracampeonato paulista, em 2018. Última conquista da equipe na competição (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Foto de destaque: Ricardo Saibun/Gazeta Press

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