Casos de homofobia e machismo no futebol levantam a pauta: até quando?

San Diego Loyal abandonou a partida em apoio a Collin Martin após receber ofensas homofóbicas; Aqui no Brasil, atletas do Palmeiras feminino acusam o 4º árbitro de desrespeito às jogadoras em campo

Apesar de muitas vezes ser visto como uma “fuga da realidade”, um momento de entretenimento, o mundo esportivo continua sendo parte da sociedade e, por isso, os problemas sociais não são inexistentes. Isso é provado com sua história: ainda na Grécia Antiga, os esportes eram praticados somente por homens. Quando perguntado o por quê de mulheres não praticá-los, os argumentos mais utilizados eram que as mulheres não tinham porte físico para praticá-los e que esses esportes “masculinizavam” os seus corpos.

O futebol evoluiu. A sociedade evoluiu. Porém, alguns problemas sociais continuam estampando capas dos jornais. Mesmo depois de tanto desenvolvimento tecnológico e de ideais, o ser humano não é capaz de respeitar o outro que seja diferente dele. Seja por orientação sexual, gênero, cor de pele, religião. Só nesta semana, tivemos dois casos que estampam bem a situação no esporte mais popular do mundo.

Time abandona jogo nos EUA em protesto contra comentários homofóbicos

Na última quarta-feira (30), em jogo válido pela Conferência Leste da United Soccer League Championship, uma das ligas de futebol profissional dos Estados Unidos, o San Diego Loyals recebeu o Pheonix Rising no estádio Torero, em San Diego. O time comandado pelo ex-jogador da Seleção Americana Landon Donavan estava conseguindo um grande resultado no último jogo da temporada até o final do primeiro tempo, vencendo os visitantes por 3 a 1, quando aconteceu a confusão.

Collin Martin, meio-campista do San Diego Loyals, é assumidamente gay e recebeu insultos homofóbicos durante o primeiro tempo. Ao reclamar com o juiz, o jogador recebeu cartão vermelho por reclamação. Amparado por seus colegas de time, foi para o vestiário. No início do segundo tempo, jogadores, comissão técnica e funcionários se ajoelharam e depois deixaram o campo em apoio a Collin.

A nota oficial divulgada pelo clube afirma que os jogadores dos dois times e os técnicos ouviram os comentários, mas os árbitros não fizeram nada. “Em vez disso, Martin foi expulso (o cartão foi retirado depois). Uma vitória sobre o Phoenix Rising colocaria o time de Landon Donovan em ótimas condições de ir para os playoffs. Mas o clube termina a temporada com uma forte mensagem, de que não vai aceitar esse tipo de comportamento”.

A USL Championship afirmou que está investigando o caso. “Estamos cientes do alegado uso de comentário homofóbico no jogo entre o San Diego Loyal e o Phoenix Rising. Linguagem abusiva de qualquer tipo não tem absolutamente qualquer espaço em nossa sociedade e não será tolerada em nossas partidas”, declarou a liga.

Na última semana, o jogador Omar Ontiveros foi suspenso da competição e cortado do time do LA Galaxy II após ter feito um comentário racista a Elijah Martin, também do San Diego Loyals. A equipe também se retirou de campo antes do apito final do juiz.

Atletas do Palmeiras feminino acusam quarto árbitro de machismo

Após o final do jogo entre Grêmio e Palmeiras na noite da última quinta-feira (01), em Porto Alegre, a meio-campista palestrina Camilinha acusou o 4º árbitro Eleno Gonzalez Todeschini de ter usado sua autoridade esportiva para desrespeitar as jogadoras em campo.

“O Eleno (4º árbitro) está usando da voz dele superior para ficar desrespeitando a gente aqui. Ele está sendo machista com todas as atletas que estavam no banco de reservas. Isso é uma palhaçada! O futebol feminino precisa de respeito! Aí vem o cara, com um pouco de autoridade, e vem desrespeitar a gente. É uma palhaçda!”, afirmou a jogadora, que foi para o banco aos 22 minutos do segundo tempo.

Em 2014, o Grêmio também denunciou o árbitro Eleno Gonzalez Todeschini, reclamando de algumas atitudes inconvenientes que teriam ameaçado jogadores durante a partida. Sobre o caso relatado pela jogadora, nem o Palmeiras nem a CBF fizeram nenhum pronunciamento até o momento de finalizar esta matéria.

A grande pergunta que fica é: até quando? Até quando casos como esses serão tratados como “normais” ou rotineiros? Até quando as federações vão fingir que isso não acontece? Até quando os culpados não serão minimamente punidos? Em uma sociedade onde os números de homicídios de pessoas LGBTQIA+ e feminicídio cresce a cada dia, o mínimo que a sociedade precisa é de segurança. Principalmente no mundo esportivo, que por seu passado ainda é bem homofóbico e machista, o espaço para debate e combate desses problemas deve ser ainda maior.

As redes sociais ajudam muito como plataforma para discussão dos problemas sociais. Porém, não adianta se as federações e os clubes não promoverem esse debate e, principalmente, punindo os culpados. Há muito chão pra percorrer e essa luta não se ganhará sozinha.

Foto em destaque: Divulgação/Twitter do goleiro Jon Kempin

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