Jairzinho em transmissão pela Botafogo TV, onde realizou comentário machista. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Opinião: Lave seu machismo

Comentário de Jarzinho, ídolo do Botofago, não tem cabimento nos dias de hoje

Vinte e três de setembro de 2020. Quarta-feira. Botafogo e Vasco se enfrentam pelas oitavas de final da Copa do Brasil. No minuto 33 da segunda etapa, um comentário feito na transmissão da TV do clube foi totalmente desnecessário. Jarzinho, ex-ponta-direita, ídolo do Fogão, se irrita com atuação da auxiliar Neuza Ines Back (Fifa-SP) e diz, com todas as letras, que a profissional “deveria lavar roupa”.

Momento em que Jairzinho realiza o comentário machista

Nada contra a profissionais que exercem o ofício de lavar roupa em seu dia a dia. Ou, então, a pessoas que têm como ocupação os cuidados com a casa em todos os seus detalhes. É um trabalho digno, assim como qualquer um que não vem de meios ilícitos. E, também, muito necessário. Afinal, quem gosta de andar com roupas sujas?

Mas por qual razão, motivo ou circunstância é necessário atribuir este ato a uma mulher? Quem afirmou que Neuza, no caso, deveria trabalhar apenas com serviços domésticos?

Está batido, eu sei, mas não devemos deixar de repetir: o lugar de mulher é onde ela se propôs a estar. Seja em casa, seja em campo, na escola, em uma empresa, comandando um clube, pilotando um avião e afins. A fala de Jairzinho é desnecessária e desrespeitosa. É colocá-la, apenas, em posição de atos de serviço. É machismo.

Há quem diga que, no alto dos seus 75 anos, Jairzinho não deva desculpas – ato já realizado na tarde desta quinta-feira (24). E eu discordo plenamente. Entendo que por muitos anos as pessoas foram ensinadas e acostumadas a colocarem mulheres nestas posições. Mas o momento é outro. E, no agora, não deve aceitar este tipo de atitude.

Este texto não é um pedido de “cancelamento” ao pai do técnico do Sport, Jair Ventura. Pessoas errarão em todos os momentos da sua vida, não tem como. Nobre é reconhecer e mudar o comportamento. Aprender a respeitar é o mínimo. Entender que machismo, homofobia e racismo não cabem mais em nenhum lugar – assim como no futebol – e lavar o preconceito são as únicas coisas que precisam, de fato, fazer.

Foto de destaque: Reprodução/Redes Sociais

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