Entrevista exclusiva com Joane Ribeiro: Das dificuldades até a realização de um sonho

Atleta de futsal e futebol desde os sete anos, Joane Ribeiro, conta com exclusividade sobre as dificuldades que enfrentou no meio esportivo e a concretização de um sonho.

A vida da Joane Ribeiro nunca foi fácil. Natural de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a atleta conversou com a equipe do Rainhas e falou sobre sua vida dentro e fora dos campos e da quadra, além de todo o processo para realizar o seu sonho de infância.

Desde os sete anos de idade, Joane era vista pelas quadras e campos da cidade, e foi lá que sua vida começou a transformar. Assim como a maioria das mulheres que jogam futebol, ela teve que enfrentar o pior adversário: o preconceito. 

Aos nove anos um professor de educação física chamou a mãe dela, e orientou que levasse até uma escolinha de futebol, onde acabou conquistando vários títulos posteriormente. Joane ainda disse:

“Minha mãe nunca teve preconceito com esporte, ela sempre acreditou que as mulheres são livres para fazerem o que quiserem e serem o que quiserem, e isso me deu muita liberdade, sendo muito construtivo”

Sabemos que no Brasil não há time de base para o futebol feminino, e que muitas atletas acabam jogando com meninos quando mais novas. Neste processo muitas coisas acontecem, o que afeta diretamente no psicológico das meninas que optam por desistir deste sonho por falta de oportunidade, pela pouca estrutura e também pelo preconceito. Com Joane, isso acontecia por parte dos outros meninos e da própria comissão técnica.

Joane inclusive comentou: “ Temos ótimas atletas, mas escassas oportunidades, pouca infraestrutura e muito preconceito” e completou “Foi assim que percebi o quanto o futebol feminino é desvalorizado no Brasil”, concluiu.

Joane, que passou por diversas dificuldades na modalidade, sempre teve o sonho de estudar e jogar fora do país. Sempre que conseguia, gravava vídeos jogando e mandava para as universidades. Aos 15 anos ela teve a oportunidade de jogar fora, mas devido a problemas financeiros, ela não conseguiu realizar, mas ela não desistiu.

Atualmente com 23 anos, ela mora em Florianópolis e treina sempre que possível para jogar em alto nível. Ela ainda disse sobre a dupla rotina além dos campos: “Eu me sustento sozinha, atualmente trabalho de garçonete em um restaurante e faço freela como fotógrafa”

Em dezembro, Joane voltou a enviar vídeos para as universidades, e conseguiu um retorno da Westcliff University, em Irvine, convidando-a para ingressar na faculdade. Infelizmente, como dito no começo, a vida dela nunca foi fácil, e a bolsa ofertada não é integral.

Sem pensar em desistir mais uma vez de realizar o seu sonho, ela criou uma vaquinha online para tentar arrecadar cerca de 12 mil dólares para pagar todas as aplicações necessárias para conseguir embarcar ainda em agosto deste ano. Incluindo alguns custos com a universidade. O trabalho dela pode ser acompanhado nas redes sociais e também no youtube

Nós sabemos que nunca será fácil para uma mulher jogar futebol, e quando entramos em campo ou quadra, conseguimos quebrar diversos paradigmas, lutando contra o preconceito, machismo, desvalorização, dificuldade, visibilidade e por aí vaí. A Joane, por exemplo, entra em campo para buscar uma oportunidade de realizar seu sonho.

Foto de destaque: Arquivo pessoal

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