Opinião: Como fica a nossa base?

As datas de retorno dos campeonatos de base do futebol feminino dividiram opiniões 

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou oficialmente na última sexta-feira (17) todas as datas de retorno do futebol brasileiro, mas, entre elas, algumas chamaram atenção. Os campeonatos de base feminina levantados pelo órgão foram adiados, conforme já era esperado por conta da pandemia. No entanto, o principal campeonato de base atualmente, que dá chances para as meninas subirem ao profissional, foi adiado justamente para uma data próxima às provas de vestibular. 

A previsão de início do Campeonato Brasileiro Sub-18 ficou para o dia 06 de janeiro de 2021, mesmo dia que ficou marcada a primeira fase do vestibular da UNICAMP. Até o final do mesmo campeonato, previsto para o dia 28 de fevereiro, já terá ocorrido literalmente todas as primeiras fases de vestibulares. 

Eles esquecem que o futebol feminino não é a mesma coisa que o masculino. Nós não conseguimos sobreviver sem faculdade, sem estudo. Eles não ligaram para nós”, comentou uma jogadora que pediu para não ser identificada.

As atletas começaram a entrar em desespero e reclamar dessa questão, com toda razão. Justamente o campeonato que irá englobar as estudantes que prestarão o vestibular ficou para a época de provas. Será que não passou pela cabeça de quem pensou nesse calendário sobre isso? Imagina quantas atletas não vão participar. Muitas!

Aparentemente, quem estruturou a nova data do campeonato não conseguiu ter essa visão e planejamento. Se o mesmo Campeonato Brasileiro, porém Sub-16, irá acontecer em outubro, porque eles não poderiam ter invertido um com o outro? Por qual motivo não pensaram em colocar o começo após as provas? 

Tenho a sensação de que quem trabalha com o futebol feminino sempre cobra mais respeito e investimento em relação à base, porque isso é extremamente necessário. Mas isso é só querer dizer que fez, sabe? O campeonato foi reestruturado da pior maneira. 

A gente já tem levantado e reforçado o grande pensamento em torno do futebol feminino: ele não dá futuro. Para e pensa, quantas jogadoras com grandes chances de brilharem em um profissional não vão ter que desistir de um sonho para poder estarem presentes nas provas de vestibular. Isso é uma frustração imensa para uma geração do futebol feminino que vem tão forte.

Um outro ponto que precisa ser pensado é o fator da idade. Algumas atletas não concordaram com esse adiamento pelo fato de ser seu último ano podendo atuar no sub-18. Sabemos como a Confederação deixa bem explícito essa restrição. “Acho que seria legal criar um sub-19, para as meninas não ficarem tão preocupadas em relação à idade. Algumas estão no seu último ano”, comenta a jogadora do Audax, Sabrina Leal. 

Essa questão do sub-19 é bem legal, talvez somente para este ano, por conta da pandemia, mas é de pensar e valorizar a ideia. O futebol feminino precisa de chance, espaço. Por que não mudar a idade por um ano? A única coisa que nos dá esperança de que isso possa acontecer é o termo ‘Edição 2020’ colocado no calendário atualizado do futebol feminino. Porém, ainda nada confirmado. 

Não adianta querer colocar a bola para rolar somente para ter o campeonato. Tem uma diferença tênue entre acontecer para não haver cobrança e acontecer com valorização e investimento. Esse investimento na base precisa ser sério, mais levantado e cobrado. No entanto, se a própria CBF não pensa em maneiras de ajudar suas atletas, como os clubes brasileiros vão comprar a ideia?

Antes tarde do que nunca! É melhor ter em janeiro do que acabar não tendo e ficarmos sem. Creio que é a melhor forma de acontecer”, disse Sabrina Leal ao Rainhas do Drible.

É muito importante mesmo termos esse campeonato, as jogadoras representam o futuro do futebol brasileiro feminino. Entretanto, se o Brasileirão sub-18 é mesmo pensado e estruturado para o crescimento da categoria, vamos fazer direito. Precisa haver essa cobrança em relação à CBF, essa bandeira precisa ser levantada. Se ele é feito para elas, que seja realizado em uma data que as atletas possam jogar. Caso contrário, por que é feito?

As atletas e os times não podem arcar com esse prejuízo e atraso. Todos entendemos o fato de estarmos em meio a uma pandemia e, no meu caso, até discordo desse retorno do futebol brasileiro. Mas o descaso com todas essas jogadoras é imensurável. Muitas delas já jogam somente por conta de uma bolsa, de um auxílio para o transporte, vocês percebem que não tem caminhos de dinheiro nisso?

O maior interesse é o crescimento do futebol feminino e a Confederação deveria ser a maior interessada. Espero que essa data seja revista e melhor organizada. Só faça se for para ser bem feito! 

Confira as datas de retorno do futebol feminino:

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