EXCLUSIVO! Goleiras de futsal: O que ainda falta para a posição?

Atletas que defendem o gol fazem uma função extremamente importante em qualquer time

A história e o investimento no futsal feminino ainda é curta, começou em 1983. A luta por melhores condições e mais valorização se mantém dentro e fora de campo, mesmo com o futsal sendo um dos esportes mais praticados no Brasil.

Em um geral, as atletas da modalidade não têm uma grande visibilidade. No entanto, essas condições pioram quando falamos sobre as goleiras. 

Dizemos que a posição de goleira é muito solitária, estamos o tempo todo ligadas no jogo e qualquer dispersão é perigosa. Temos que manter nossa cabeça 100% concentrada e, às vezes, em um lance, tudo pode desabar, porém logo em seguida já teremos outra oportunidade de fazer uma defesa. O que me encanta é poder sempre ter essa chance de ser heroína ou vilã, sabendo lidar com todas essas possibilidades”. 

Quem conta isso para o Rainhas do Drible é a ex-goleira Marisa Marcondes, que atuava no Cerro Porteño até o ano de 2019, mas decidiu parar sua carreira para focar em outras coisas. A atleta conversou um pouco com o blog sobre as dificuldades do futsal e da posição de goleira.

A realidade de uma profissional vai muito além de momentos bonitos que vimos nos posts das redes sociais. As atletas estão cercadas de clubes sem preparadores específicos para goleiras, algo extremamente necessário. “Já trabalhei com diversos preparadores, da mesma forma que também já trabalhei em clubes que não me ofereciam este profissional. E com certeza isso é um fato determinante para meu melhor rendimento. Todas as temporadas em que eu me destaquei, eu estava tendo algum acompanhamento específico”, comenta Marisa. 

A luta por um profissional específico para realizar os treinos de goleiras já é bem conhecida por todos, mas o porquê é tão necessário ter essa pessoa às vezes ainda é desconhecido. A ex-goleira da Seleção Brasileira de futsal e goleira do Barateiro Havan Futsal, Missiara Luiza Papst, mais conhecida como Missi, explica o motivo. 

Nosso treinamento específico são muito mais intensos do que o treinamento das demais atletas. Precisamos ter muito mais atenção, rapidez e elasticidade dentro de quadra. No treinamento de goleiras, trabalhamos aspectos importantes, fazemos combinações de exercícios aeróbios, de força e habilidades motoras. Sempre treinamos em horários diferentes das atletas, somos as primeiras a chegar e as últimas a sair”.

Além do treinamento específico, também é preciso receber os fundamentos desde a base, algo que também carece de investimento no futsal feminino. “Quanto antes o trabalho de fundamento começar a ser implantado na atleta, com certeza melhor rendimento ela terá. Assim [na base] ela aprende os gestos motores mais rapidamente e, quando chegar na fase adulta, já estará a um grande passo à frente”, diz Marisa.

Daqui para frente, as goleiras precisam ser mais valorizadas. Tem que ter treinamentos específicos, em horários específicos. Creio que as equipes só têm a ganhar com isso. Um bom time começa com uma boa goleira, ela é metade da equipe já”, completa Missi.

E as traves? 

No futsal, as goleiras não precisam lidar com as constante opiniões sobre a diminuição das traves, já que o gol é menor que o de campo. Porém, isso não quer dizer que há um “favorecimento” para as goleiras. “O estilo de jogo de um goleiro de campo e de salão são completamente diferentes. Assim como goleiros baixos no campo têm mais dificuldade, goleiros altos também sentem isso no salão. Por isso acredito que, com o treinamento, tudo isso pode ser minimizado para ambas as modalidades”, opina Marisa.

A goleira Missi também concorda que o tamanho da trave não influencia no resultado e valoriza o objetivo de cada um. “Para ser goleiro tem que ter dom e coragem. O tamanho da trave não favorece ou dificulta se você escolheu aquilo para você. Meu objetivo sempre vai ser impedir o gol, independente do tamanho da trave”.

A valorização vem mudando? 

Mesmo com algumas brechas, não podemos deixar de notar o quanto o futsal cresceu nos últimos anos. No ano de 2010, ocorreu o início de uma Copa do Mundo de Futsal. A Seleção Brasileira conquistou todas as seis edições, sendo a maior e única campeã. 

De uns anos pra cá, nossa posição evoluiu bastante, as equipes começaram a investir. Antigamente, era muito difícil uma goleira jogar com os pés, o que hoje em dia já é mais comum”, comenta Missi. 

Uma das discussões presentes para ajudar no crescimento é transformar a modalidade em um dos esportes olímpicos. Mas as federações não chegaram em um acordo até os dias atuais.

Atualmente, o futsal feminino vem em uma crescente importante. Apesar de lenta, ela tem acontecido. Os campeonatos e os clubes, hoje em dia, oferecem mais estruturas e oportunidades às atletas. Não é e está longe de ser o ideal, mas vejo que existe sim um crescimento”, completa Marisa.

Com cada dia mais nomes de destaque aparecendo, o futsal feminino vai conquistando seu espaço em pequenos passinhos.

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