Crise provocada pelo coronavírus deixa futebol feminino em alerta

Diante da pandemia da Covid-19, a CBF anunciou que ajudaria os clubes financeiramente. No entanto, não houve fiscalização por parte da entidade, e várias jogadoras ficaram sem receber seus salários

No início do mês de abril, a CBF anunciou que destinaria R$ 19 milhões, a título de doação, a clubes e federações devido às dificuldades causadas pela pandemia do coronavírus.

O valor, equivalente a duas folhas salariais de cada clube, seria dividido entre equipes masculinas das Séries C e D e equipes femininas das Séries A1 e A2. Porém, mesmo com o auxilio recebido, começaram a surgir denúncias de que jogadoras estariam sem receber seus salários.

No Audax, equipe da primeira divisão do Brasileirão feminino, jogadoras e comissão técnica receberam apenas metade de seus salários e foram avisadas que seus contratos estariam suspensos. Além disso, o clube comunicou ao técnico da equipe que não pagaria as atletas enquanto o futebol não retornasse, e que elas estariam livres para negociar com outros times.

O clube, que possui equipe masculina que não está em nenhuma divisão nacional, recebeu em torno de R$ 120 mil, o equivalente a cinco meses de salários, três a mais do estipulado pela CBF. O dinheiro, porém, não chegou até as jogadoras.

Gustavo Teixeira, filho do dono do Audax e um dos responsáveis pela administração do clube, afirmou que o Audax não foi orientado em como utilizar o dinheiro.

Acredito que o Audax não recebeu nenhuma orientação da CBF de como esse dinheiro deveria ser gasto. Essa pandemia prejudicou imensamente as finanças do clube. Infelizmente, estamos tendo que mandar várias pessoas embora e entendemos que esse recurso da CBF foi para ajudar o clube como um todo, e não exclusivamente o futebol feminino”, disse Teixeira.

Nenhuma das jogadoras é registrada. Dessa forma, o salário, que é considerado ajuda de custo, varia de R$ 500 a R$ 1.000. As jogadoras dizem que os dirigentes não dão satisfações sobre o porquê do pagamento não ter sido integral e se receberão algo em breve.

Teixeira comenta também sobre a dificuldade que encontram para conseguir patrocínio e apoio para manter o futebol feminino.

Uma coisa que eu deixo claro para você é que, se após o término do Campeonato Brasileiro feminino sobrar algum dinheiro desses R$ 120 mil, o Audax se compromete a repartir com as atletas”, disse ele.

A situação não acontece apenas no Audax. Outras equipes do futebol brasileiro feminino, como o Santos Dumont, que disputa a Série A2, também relata o descaso de seus dirigentes com os salários.

Sem fiscalização, como garantir que o dinheiro chegará até as atletas? As jogadoras, que já recebem um salário baixo, ficam desamparadas em meio à crise. A ausência de uma entidade para tratar somente do futebol feminino só evidencia o descaso com a categoria.

A FIFPro está preocupada com o futebol feminino. Nós estamos preocupados. Até quando lidaremos com essas situações?

Foto: Jéssica Desiré/Instagram

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