#PedeA24: Leia Corner

#PedeA24: mais que um movimento, uma necessidade

Ação, que começou nas redes sociais, luta contra homofobia no esporte

Duílio Monteiro Alves, diretor de futebol do Corinthians, disse “24, aqui, não!” na apresentação do volante Victor Cantillo para o começo da temporada. Após a declaração polêmica, um tema e tabu antigo voltou à tona: a visão que os brasileiros têm do número 24 e como isso afeta a sociedade em seu dia a dia.

No histórico do país, a 24ª numeração carrega um peso nas costas: o da homofobia. Tudo isso porque, no jogo do bicho, ela é associada ao animal veado – que dizem, de forma pejorativa, representar um homem homossexual. E, assim, por anos e anos, piadas e comparações são feitas: passando por idade e indo até camisas de desportos.

Diante deste caso, um movimento liderado pela Revista Corner e o jornalista Mauro Beting trouxe às redes o pedido de mudança de comportamento de todos para o combate ao preconceito: o #PedeA24.

Em seu manifesto, Mauro colocou em palavras a importância de mudar o cenário em relação a isto: “Você escolhe o seu número. E se você não acolhe quem escolhe, isso tem nome: preconceito. Vários nomes feios: intolerância. Ignorância. Homofobia. Você escolhe o seu clube que o acolhe. Você precisa acolher quem escolhe diferente. Se você discrimina um número, você não tolera nomes. Você se incrimina. Se você não aceita isso, não vem pro nosso jogo brincar. E a gente está falando sério”.

Manifesto #PedeA24: Corner
Manifesto #PedeA24. Foto: Divulgação Corner

Alguns clubes brasileiros tomaram a medida de incluir o 24 na camisa de seus atletas. O Bahia deu o pontapé com o #NúmerodoRespeito ao permitir que Fábio, antes dono da camisa cinco, passasse a ter novos dígitos.

O time justificou a ação, liderada pela cerveja Brahma, como forma de homenagear o atleta Kobe Bryant, morto em um acidente de helicóptero no fim de janeiro, e ajudar a combater a homofobia velada no futebol.

Outros clubes também cederam ao 24, seguindo o movimento liderado pela marca de cerveja.  O Fluminense definiu o meia Nenê como dono da camisa na Sul-Americana. Um pouco antes da partida contra o Corinthians, o Santos anunciou que o jovem atacante Tailson, dono do número 39, adotaria os dois dígitos no clássico paulista. Gabigol, ídolo da torcida Flamenguista, também fará parte da campanha em partidas pelo Campeonato Carioca.

Independente dos responsáveis pela campanha, a movimentação de jornalistas, times, torcedores e atletas mostra um grande passo em sentido à clareza e amadurecimento de nossa sociedade. Quanto mais excluirmos a 24, mais alimentamos um desrespeito e uma ignorância que machuca e mata muitos em nosso país.

Em 2019, o Brasil registrou 141 mortes de pessoas LGBT de janeiro a 15 de maio, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB). Os dados da organização mostram que foram 126 homicídios e 15 suicídios, o que representa a média de uma morte a cada 23 horas.

Nenhum jogador de futebol se assumiu como homossexual em nossa história. Isso pode ser um fato inédito ou, apenas, mais um sinal de que há uma homofobia ferrenha no desporto.

Um número não pode definir a sexualidade alheia. E, mesmo que o fizesse, não seria demérito algum amar alguém do mesmo sexo. Errado é desrespeitar, ferir e, em alguns casos, matar ou deixar morrer quem apenas ama.

3 comentários sobre “#PedeA24: mais que um movimento, uma necessidade

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