Opinião: “Be patient” não funciona com quem quer “be chato”

Regras descabidas e suas más aplicações têm ofuscado o brilho de um dos esportes mais amados do mundo

Neymar recebendo cartão. Franck Fife/AFP
Neymar recebendo cartão. Foto: Reprodução/
Fifa/AFP

O futebol já parou guerra, fechou ruas, avenidas e vielas. Já fez muito marmanjo e marmanja chorar. Já foi motivo de restauração de fé ou até agente criador dela. Proporcionou abraços em estranhos e beijos em bocas que antes nunca se viram. Também trouxe algumas viagens, passaportes carimbados e lugares novos a serem explorados. Já curou até doenças: do corpo e da alma… O futebol, meu querido leitor, ele é FOD*!

Mas, antes de qualquer exaltação ao meu desporto favorito, cabe aqui uma grande e impopular opinião: estão querendo acabar com esse senhor de 157 anos de idade.

Tirei essa grande informação do meu Instituto de Opinião Pessoal (IOP) após observar alguns fatos e situações que me incomodaram e incomodam muito. Eu sei que algumas foram feitas para, quem sabe, amenizar atos inadequados da torcida e das organizações, mas acabaram se transformando em um grande, com o perdão da palavra, “pé no saco”.

Vamos começar com ele: o VAR. Não entrarei na polêmica de erros e acertos, porque acredito ser uma outra discussão. Mas, sobre o tempo médio de 1 minuto e 54 segundos de checagem – cerca de 25 segundos a mais do que é recomendado pela gloriosa Fifa –, ser uma grande chatice!  Até porque, já existiram situações onde se pode, facilmente, cozinhar um miojo enquanto espera os queridos da arbitragem definirem o que é aquele lance “polêmico”.

No ano passado, mais especificamente em março, a International Football Association Board (IFAB) divulgou o novo texto com 12 mudanças na modalidade, que passaram a valer no dia primeiro de junho de 2019.

As novas regras vão desde cara e coroa – em que o vencedor da disputa escolhe a bola ou o campo. Antes dessa mudança, o vencedor só podia escolher o campo – até comemoração de gol: o que tem se tornado uma pequena polemicazinha no território brasileiro.

Segundo a IFAB, os árbitros deverão aplicar cartão amarelo em caso de exagero na comemoração de um gol mesmo que o lance tenha sido anulado. Mas se o gol é o ápice do futebol, como medir o excesso? Não poderia ser ele apenas o ato de violência e ofensas contra o time adversário? Fica aí a reflexão…

No final da Copa São Paulo, no dia 25 de janeiro, o Gre-Nal teve uma situação bem patética. Alisson, zagueiro do grêmio, foi expulso após comemorar, junto com a torcida, o gol da final do campeonato. Expulso. Cartão vermelho. Por causa de uma comemoração no alambrado!

Sim, ele já tinha um amarelo. Mas qual a necessidade de somar com outro e penalizar no momento mais glorioso? Ainda mais por ser uma comemoração que não machucou, ofendeu ou prejudicou a ninguém! E em uma final! Absurdo!

No segundo clássico do Paulistão, Corinthians x Santos, Janderson viveu a mesma novela. O segundo gol do Timão, da vitória por 2 a 0, foi marcado pelo atacante que recebeu bola de Boselli e finalizou na saída de Everson. Na comemoração, após ir abraçar uma pequena parte da torcida, acabou sendo expulso, por já ter cartão amarelo. Impossível de acreditar!

Até Neymar viveu uma situação inaceitável nesse começo de ano. O PSG goleou o Montpellier por 5 a 0, ele não fez nenhum gol, mas foi destaque da partida. Tudo porque, no fim do primeiro tempo, o camisa 10 tentou dar uma lambreta no zagueiro Souquet. O árbitro Jérôme Brisard não gostou muito e repreendeu o atleta. Houve uma pequena discussão entre os dois e o juiz deu um amarelo, claro.

Neymar ficou bravíssimo. No fim da partida, antes de entrar no vestiário, discutiu com um dos árbitros. O melhor de tudo, que está longe de ser o episódio, foram as reclamações realizadas em seu idioma nativo. O desabafo feito em alto e bom som, além de ser recheado de bons palavrões, acabou representando a todos nós: torcedores do futebol limpo e raiz, que adora gritar olé e abraçar desconhecidos nas arquibancadas!

Sim, eu sei. Tem coisas que mudam em nossas vidas, não é mesmo? E, algumas dessas mudanças, acabam sendo inevitáveis. Somos uma espécie em evolução – pelo menos é o que dizem – e isso impacta em tudo criado por nós.

Mas, dentro do cenário futebolístico, por qual cargas d’água uma comemoração ou um drible devem ser advertidos e penalizados dessa maneira? Qual é o sentido de banir a emoção, se é isto que o futebol mais tem em seu DNA?

Têm coisas que são imutáveis. O calor de torcer e a arte de jogar bonito não devem ser proibidos. Be patient? Vocês que me desculpem, mas não há como ter paciência com quem quer interromper essas sensações.

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