Os estaduais vão acabar…

Entra ano, sai ano, e nada muda nos campeonatos estaduais.

Os campeonatos estaduais são importantes para muitos times, mas há muitas questões que precisam ser repensadas. Afinal, no atual modelo, os clubes mais populares são os que de fato se beneficiam, afastando na maioria das vezes o interesse das pessoas no esporte, visto que o torneio começa a ter uma maior rivalidade e acompanhamento nas semifinais e finais. Antes disso, é quase despercebido.

Será que simplesmente acabar com os estaduais resolverá este problema? Pensando de forma clara, este campeonato foi desenvolvido para dar visibilidade aos demais times dos estados, visto que muitos jogam as séries B, C e D e muitas vezes são desconhecidos diante do público. O grande problema é que não há uma importância para eles no torneio, e o regulamento muitas vezes não permite isso por conta da elitização dos times populares. 

O que é necessário mudar? Essa questão parece tão irrelevante visto que existem tantas coisas que precisam ser mudadas no regulamento do campeonato. O Rainhas destaca agora os principais pontos que precisam ser revistos:

O excesso de jogos

O campeonato começa logo após o recesso e férias, o que dificulta ainda mais na formação e manutenção de elencos, o que sugere a contratar mais atletas, aumentando os custos e diminuindo assim a qualidade média dos elencos. 

Os jogos ainda têm o grande problema com o nível técnico, visto que por enfrentar adversários com qualidades inferiores aos grandes clubes do estado, a nível do produto oferecido (o futebol) cai, e assim o torcedor vai perdendo interesse ao longo do torneio, o que impacta diretamente na geração de receita do clube.

Foto: Reprodução/Google

Falando em receita

Com a falta de interesse na ida de torcedores em estádios e nas contratações para a temporada, o time já tem um grande volume financeiro “perdido” só no início do ano. E é aí que está a questão: até onde é vantajoso o campeonato estadual? 

Se pararmos para pensar de onde vem toda a verba de um clube temos: bilheteria, negociação de jogadores, patrocínio, direito de transmissão, entre outros. Mas com a falta de interesse dos torcedores vira uma bola de neve, visto que a bilheteria já não sustenta os times, os patrocínios quase nulos principalmente para clubes menos conhecidos, além da transmissão que varia de local para local, ou seja, há uma disparidade entre os clubes.

Para entender melhor e ver como isso reflete também em outros campeonatos, vamos simplificar: 

O campeonato paulista é o que mais recebe verba pela transmissão dos jogos, seguido do carioca, entretanto, nos estaduais do nordeste, como no baiano, esse número cai em 98%. Como os times campeões recebem um valor de premiação, e normalmente são clubes da elite popular, voltamos a pergunta ainda é vantajoso jogar o estadual?

Eu diria que sim, afinal, é através desse torneio que os pequenos clubes podem ter contato com torcedores, que podem ser vistos mesmo que poucas vezes, e ainda sim é a partir deles que surgem grandes chances de negociações de jogadores para os times grandes e até mesmo uma possível transação para fora. 

É claro que tem que mudar muita coisa no regulamento da competição, até para ficar ainda mais competitiva e prazerosa de assistir, e rolar  uma negociação melhor entre as cotas de transmissão entre os estaduais de todo o Brasil, não objetivando apoiar só a região sudeste, por exemplo. 

Sabemos que há muita coisa para mudar, mas até lá podemos apoiar os clubes menores para que de alguma forma, eles também sejam valorizados.

Imagem: Roberto Filho/ Fotoarena/VEJA

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