Jogadoras da Liga Espanhola fazem greve em prol de direitos iguais

De tanto que se fala em igualdade de gênero no futebol, pode ser que para alguns, o discurso pareça repetido.

A verdade é que, infelizmente, esse discurso “repetido” é extremamente necessário e não somente no Brasil, pois na Europa também é preciso de muito para chegar lá, mesmo que eles estejam mais avançados que nós no quesito investimento no futebol feminino.

Portanto, para evitar falar da mesma forma, o texto de hoje vai apenas narrar um acontecimento que aconteceu, desta vez, na Espanha.

Tudo começou por volta do dia 9 deste mês, quando Ainhoa Tirapu, goleira do Athletic de Bilbao e, também, dirigente da Associação de Futebolistas Espanhóis (AFE), anunciou que a liga feminina entraria em greve em prol da igualdade contratual.

Conforme anunciado pelo jornal O Jogo, Tirapu se reuniu com os representantes dos clubes e das jogadoras, a fim de chegarem a uma concordância. As atletas colocaram em questão um contrato coletivo, ou seja, um salário mínimo fixo para que todas possam receber uma quantia igual, além de, também, o desejo por obter direitos que não possuem, mas que os jogadores da liga masculina têm, como direito a 30 dias de férias por ano além da licença maternidade paga e salário por afastamento temporário quando necessário.

Porém, devido a um impasse com a pauta do salário, as negociações foram interrompidas. Os sindicatos exigiram pelo menos 12 mil euros, o que seria 75% do salário mínimo para contratos de tempo integral, que é por volta dos 16 mil. Entretanto, os clubes ofereceram apenas 8 mil euros.

Na última terça-feira (11), as jogadoras resolveram ceder, e aceitar a proposta, com o objetivo de evitar a greve. Porém, a Associação de Clubes de Futebol Feminino (ACFF), rejeitou as ofertas da Direção Geral de Trabalho do governo, e assim a AFE confirmou a greve das atletas.

Em ocasião disso, a nona rodada do campeonato espanhol feminino, que deveria ter acontecido neste fim de semana foi cancelada.

No sábado (16), Espanyol X Tenerife e Levante X Sporting Huelva, deveriam ter se enfrentado, já no domingo (17) outras seis partidas foram canceladas.

Vale lembrar que jogadoras brasileiras e que atuam pela nossa seleção como as goleiras Aline Reis e Ludmilla, Daiane, Mônica e Thaise, atuam no Campeonato Espanhol.

A situação informada aqui, não tem o objetivo de sair na frente de outros sites, afinal o acontecimento vem desde a semana passada, mas também não queremos que este seja apenas mais um texto entre tantos que falam sobre o descaso.

O intuito é apenas mostrar que não somente no Brasil há desigualdade, mas que em um país como a Espanha, que não faz investimentos grandiosos, mas investe mais que o nosso país, também tem esse problema.

O que nos leva a pensar novamente que falta muito, mas muito mesmo, para chegar onde queremos. E o pior disso é ver que, para lutar pelos seus direitos, elas tiveram que que colocar em jogo o andamento do campeonato e o futuro das suas equipes no mesmo.

Quem acompanha o futebol assiduamente, já presenciou a mesma situação acontecer com uma equipe masculina, porém a solução chega tão rápido que nos faz pensar: por que não é assim com as jogadoras? O que falta para igualar, afinal somos ou não seres evoluídos?

Muitas jogadoras se manifestaram pelas redes sociais e o atacante francês Antoine Griezmann, que sempre atuou na Espanha, apoiou-as.

Foto: Divulgação/Twitter AFE

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s