Movimento contra assédio ganha destaque entre vascaínas

Após casos de assédio e machismo entre torcedores do Vasco da Gama, diversas vascaínas se uniram para criar o movimento “Vascaínas Contra o Assédio”

Com 483 integrantes no grupo do Facebook e 3.164 curtidas na mesma rede social, o movimento “Vascaínas Contra o Assédio” teve início através de amigas que não aguentavam mais casos recorrentes de assédio no futebol, e em particular, no clube cruzmaltino.

Atual repórter da Record TV, a jornalista Bruna Dealtry foi beijada a força por um torcedor vascaíno em março de 2018, quando o time participava da fase de grupos da Copa Libertadores da América. A jornalista do Esporte Interativo na ocasião relata o que sentiu no momento em que foi assediada.

“Eu não sabia muito como lidar com aquela situação. Foi o momento mais difícil da minha carreira. Me senti muito humilhada e impotente. Vi vários homens, não conseguia me defender e ao mesmo tempo eu estava ao vivo. Só vinha na minha cabeça todo o esforço feito para chegar até ali. Um rapaz não poderia estragar tudo que eu construí com uma ação imprudente daquela.”

Bruna Dealtry beijada a força durante cobertura do Vasco (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Além de Bruna, a assistente comercial e torcedora Michelle Straub diz que sofreu abuso por parte de torcedores e também policiais:

“Já fui assediada dentro de campo como gandula, já tentaram me beijar e já passaram a mão na minha bunda enquanto comemorava um gol na arquibancada. Também já sofri assédio por policiais na entrada do estádio.”

Uma pesquisa feita em 2010 pela empresa de mídia Batanga Media, aponta que 80% das brasileiras torcem para algum time. Dessas, 30% acompanham os jogos. Em 58% dos casos, os responsáveis pela paixão das mulheres no esporte são os homens da família: pais, irmãos e avôs. Questionada sobre a pesquisa, a socióloga e comunicóloga Renata Feital, relata que independente dessa influência, o machismo faz parte da cultura do Brasil.

“Eu acho que o machismo é cultural. Quando os homens viram que as mulheres começaram a ocupar áreas que, até então, eram de domínio masculino, eles chiaram, reverberando o preconceito e excluindo o que é considerado diferente do padrão.”

Grupo se reúne mensalmente no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/VCA)

Entre os projetos realizados pelo movimento desde a criação, um deles é a cartilha denominada “Machistômetro dos estádios” que simula um termômetro de ações reprovadas pelas mulheres com relação aos homens e foi inspirada no projeto da ex-deputada e candidata a presidência do Brasil, Manuela D’Ávila. No panfleto, atitudes como intimidação e humilhação em público são destacados e buscam alertar as mulheres, identificando tipos de agressões dentro e fora dos estádios.

Cartilha distribuída para a torcida nos estádios durante os jogos
(Foto: Divulgação/VCA)

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