O futebol brasileiro ficou para trás?

O Brasil sempre foi considerado o país do futebol, mas de um tempo para cá muita coisa mudou, e daí fica o questionamento: será que ainda é?

A resposta mais provável é: “vai saber”, afinal, as equipes e seleções do mundo estão evoluindo muito, enquanto o Brasil ficou um pouco para trás, oscilando bastante de temporadas em temporadas, e sendo sempre desafiado pelas cobranças dos torcedores brasileiros.

Sem sombra de dúvidas, continuamos sendo uma das melhores seleções do continente, mas precisamos voltar a encontrar o equilíbrio. Infelizmente, com a cultura do nosso país de cobrar por resultados e não se contentar quando o time não joga bem, faz com que a insatisfação e decepção sejam cada vez mais frequentes.

Diante disso, os torcedores acabam sendo influenciados pela qualidade técnica e tática dos jogadores de outros países, e muitas vezes mudam sua torcida.

Pode-se dizer que, depois do 7 a 1, o argumento da maioria dos brasileiros é de que os jogadores esqueceram de jogar futebol e só pensam no dinheiro. De certa forma, não tem o que questionar, mas a “culpa”, neste caso, é dos clubes e não dá seleção. Vamos entender melhor adiante.

Foto: André Penner/AP Photo

Pensando sempre na evolução do futebol, os clubes europeus estão levando cada vez mais cedo os jogadores brasileiros que se destacam. Com isso, eles pagam um valor menor ao jogador ao invés de esperar que ele se valorize aqui para comprar por um valor ainda maior.

Para o jogador e para o clube brasileiro, esse processo vai render bem, mas, na verdade, os que saem ganhando são os europeus. Que baita jogada!

Quando falamos dessa transição do jogador muito cedo para a Europa, acabamos, por tradição, não aceitando muito as mudanças. Um exemplo clássico é o futebol argentino, em que eles nunca deixarão de utilizar a tática, assim como o brasileiro sempre será mais habilidoso, ou melhor, vai trabalhar mais a questão técnica.

Já na Europa, a posse de bola é o menos importante. Pode-se perceber em jogos da Champions League, por exemplo, que o jogo é mais rápido, e nesses casos o brasileiro ganhará relevância por fazer uso da inteligência técnica para construir jogadas.

Nos campeonatos daqui, a diferença é nítida. Muito se qualifica um time pela posse de bola, mas pouco se fala sobre efetividade em campo. Infelizmente, temos a tradição do drible, com o pensamento que um bom jogador se resume a essa habilidade, porém isso já está ultrapassado. 

Entendemos que a culpa do futebol brasileiro ficar para trás é muito pelo fato do jogador ir para a Europa muito cedo, deixando, assim, o nível do futebol nacional perdido e defasado.

Lá fora, times da segunda divisão do futebol inglês, por exemplo, são formados por jogadores de seleção, e cada time tem pelo menos 15 atletas que podem ser considerados titulares. No Brasil, isso acontece com poucos times e, ainda assim, não são todos que jogam pela seleção.

Há quem diga que para jogar um bom futebol, precisa sair do Brasil. Mas se aqui é a casa desse esporte, isso não deveria ser ao menos pensado, muito menos dito.

Precisamos evoluir para melhorar o nível do nosso futebol. Temos que parar de pensar tanto no dinheiro e mais na qualidade técnica e tática das equipes. Pode ser que demore para isso acontecer, mas não podemos mais aceitar a qualidade atual do nosso futebol.

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