Carta ao torcedor: quando seu time perde

É difícil falar quando o time do coração perde e, principalmente, quando é eliminado de alguma competição. Há torcedores que se perguntam quais foram os erros, analisam e tentam entender a derrota. O que eu posso dizer, sempre, é que faz parte do esporte. Faz parte do futebol.

Às vezes, o dia amanhece com sol e o torcedor já pensa que esse é o dia que verá mais uma vitória. Ele veste sua camisa, chama os amigos e as horas parecem que não chegam.

Quando vem a escalação, o torcedor analisa, entende quem seria melhor na posição, acha que o time pode ganhar com 3-5-2 ou 4-4-2. Analisa o adversário, às vezes pensando se é melhor nesse esquema ou em outro. 

A partida se inicia, o coração acelera, as mãos tremem e não se escuta mais nada que não seja a narração, seja assistindo pela TV ou escutando pelo rádio. 

O gol parece vir de uma jogada ensaiada. Uns fecham os olhos, nervosos. Outros, assistem a cada lance, cada passar da bola até ela bater na rede e os lábios ecoarem o grito de gol. 

O segundo gol vem, deixando a bola passar bem de ladinho, no fundo da rede. Calma, torcedor, seu time está ganhando!

Mas o futebol é uma caixinha de surpresas…

Foto: Museu da Pelada

O primeiro tempo se encerra. É hora de tomar uma água e respirar fundo, porque ainda tem mais 45 minutos pela frente. E, falando em minutos, o intervalo passa tão depressa que já é possível escutar a voz do narrador falando se há ou não substituição. 

O seu time domina o adversário. Posse de bola, chutes a gol, passes certos… o ataque melhora a cada rodada. Parece até mesmo magia em forma de time. Nada pode dar errado, certo?

Errado! Em um lance de falha da defesa, o adversário diminui. Todo o nervosismo volta. O coração acelera, os gritos se calam e só é possível escutar a outra torcida cantando.

O tempo parece ser seu inimigo. Quanto mais você pede para terminar, os segundos se fecham e passam devagar quase parando. Ok, torcedor, respira que seu time ainda está na vantagem. 

Um, dois, três copos d’água para acalmar. A voz já não consegue soltar mais nada de tão rouca. O humor do torcedor parece passar para os jogadores em campo e é possível ver o número de faltas aumentando, os cartões em lances bobos, e o tempo… o tempo continua lento.

Tudo o que mais quer esse torcedor é que o jogo acabe. Ele não quer acréscimos, nem se for só até os 46′. Chega a se perguntar o que aconteceu para o time apagar daquela maneira. Não há respostas.

E, quando o tempo passa a melhorar, o coração vai começando a se acalmar e ele volta a sentar no sofá para só assistir ao final com o mesmo placar… Um lance duvidoso.

“Chama o VAR!”, clama em desespero. Não tem VAR. Os comentaristas opinam, para eles não foi nada. Para o torcedor, também não. O juiz entende que sim.

Aquele lance, no fim do jogo, muda tudo. O empate acontece. Minutos depois, na decisão de pênaltis, a derrota chega. O celular não para de tocar com mensagens dos amigos rivais.

Uns torcedores choram sem acreditar, outros xingam e uns sofrem calados, como se apenas quisessem entender.

Não se fala de mais nada da partida que não seja o lance duvidoso. O torcedor quer uma resposta e o clube procura por ela. O coração do torcedor fica um pouco mais aliviado. Não se ganha em campo, mas pode ganhar fora dele. 

Para os lances duvidosos, alguns são julgados e a partida anulada. Em raros casos isso acontece. Mas o torcedor tem esperança. Ele quer o resultado justo. Ele quer que o esporte seja justo. 

E, se for falar de esperança, ela nunca vai morrer para este torcedor.

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