A utilização do marketing esportivo no Íbis Sport Club

O clube aposta na sua marca de pior time do mundo para conquistar o público

Intitulado como o pior time do mundo no Livro dos Recordes, o Íbis Sport Club foi fundado em 15 de novembro de 1928, na cidade de Paulista, em Pernambuco.

O feito histórico com a alcunha de pior time do mundo teve início nos anos 80, quando o Íbis passou quase quatro anos sem ganhar uma partida. Não é a toa que foi parar no Livro dos Recordes. “Foram 55 jogos, 47 empates e oito derrotas, de 1980 a 1983”, conta Nilson Filho, formado em Publicidade e em Jornalismo, responsável pelo setor de Marketing do clube há sete anos.

A popularidade do Íbis se deu, justamente, pelo seu péssimo desempenho, tornando-se reconhecido mundialmente. Desde então, o trabalho do marketing esportivo do “Pássaro Preto” é voltado à fama de pior time do mundo. Graças a ela, o Íbis consegue obter seus patrocínios.

O publicitário conta que as redes sociais do clube foram lançadas somente no ano de 2012, sem nenhuma pretensão de se tornar algo sério, porém, com a grande repercussão que gerou, em 2013 tornaram-se redes sociais oficiais do Íbis. “Hoje em dia, temos mais de 350 mil pessoas, somando as três principais redes: são 140 mil pessoas no Facebook; 155 mil no Twitter e 65 mil no Instagram”, detalha o profissional de Marketing.

Atualmente, o Íbis está no Top 30 do Brasil dos times de futebol que mais possuem seguidores, inclusive, um número maior até mesmo que muitos clubes que estão presentes na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Com o uso das redes, o Pássaro Preto passou a cornetear diversos clubes não só do Brasil como também internacionais.

Com postagens nesse nível de originalidade, o Íbis consegue atingir um grande público ao provocar o engajamento do mesmo em suas redes, principalmente no Twitter. “O retorno é muito positivo e tem ajudado o clube a vender muitas camisas e a fechar patrocínios, algo que não havia antes”, conta Nilson Filho.

A prova disso é o recifense Gustavo Militão que, ao ser perguntado se tinha o hábito de seguir as redes sociais do Íbis, a resposta foi “sim!”. O motivo? “É muito divertida a maneira que eles se vendem nas redes sociais. É legal ver como eles interagem com os outros clubes e também com os jogadores. De vez em quando eu acesso pra dar uma olhada”, afirma Gustavo.

O jornalista Bonifácio Lira conta que desde 2012 tem acompanhado as redes sociais do Íbis. “O humor que eles começaram a utilizar nas redes sociais gerou muita repercussão na época. Eu ria com as postagens, principalmente quando envolvia os grandes clubes do Brasil e até mesmo os clubes daqui de Recife”.

Bonifácio ainda volta no tempo e relembra da Copa das Confederações de 2013, que teve como uma das sedes o Recife, e o Íbis obteve bastante repercussão graças à formação de uma torcida organizada denominada de “Taitíbis”, inspirada na Seleção Taitiana. “Eu lembro que nessa Copa o Íbis ganhou visibilidade porque, quando a Seleção do Taiti veio jogar aqui em Recife, eles obtiveram um péssimo rendimento e receberam o apelido de Taitíbis”.

Um dos criadores foi o próprio Nilson, que confeccionou uma camisa para uniformizar os apoiadores da torcida organizada. “Consegui entregar uma camisa do Íbis ao time do Taiti, e durante a Copa nós criamos essa torcida. Na época foi massa, conseguimos o retorno esperado e repercutiu internacionalmente”, conta o publicitário.

É por meio dessas campanhas que o Íbis idealiza o seu marketing esportivo. “Eu sempre acompanho os principais campeonatos de futebol. Também fico de olho nos desempenhos dos atletas e das equipes quando perdem. Daí eu sempre vou lá e faço piadas. Sem desrespeitar, claro”, explica o responsável pelo Marketing do Pássaro Preto.

No entanto, como qualquer outro clube de futebol, o setor de Marketing do Íbis também enfrenta dificuldades, entre elas a má formulação dos jogos do futebol brasileiro. “Boa parte dos assuntos é voltado a piadas, a fatos históricos e sobre o maior ídolo do time, Mauro Shampoo. O campeonato que o Íbis disputa é muito curto […] Por isso eu preciso pensar em conteúdos para dar retorno ao público”, pontua Nilson Filho.

No ano passado, como forma de obtenção de renda, o clube lançou uma campanha para sócios que também repercutiu nacionalmente. A partir de R$ 2, o torcedor pode se associar. Com esse valor, se ganha uma carteirinha digital com seu número de sócio para poder assistir aos jogos.

Outra forma do clube arrecadar dinheiro é através da venda do seu principal produto: a camisa oficial. Após obterem o patrocínio da marca italiana ERREÀ, as camisas passaram a ser vendidas com maior facilidade.


Foto: Reprodução do Site Oficial

Atualmente, está nos planos do marketing esportivo do clube a expansão da marca. Para isso, algumas estratégias estão sendo ponderadas, como a venda de outros produtos oficiais (como a camisa do goleiro), a construção de um novo Centro de Treinamento (CT) e a projeção de um museu voltado à história do clube.

Quanto à meta de explorar o mercado internacional, Nilson Filho conta que, com o patrocínio da ERREÀ, o Íbis vai passar a vender a camisa em outros países. “Nós temos um público legal em Portugal, eu sempre recebo mensagens de torcedores de lá e muitos pedem para comprar a camisa. Esse é o nosso caminho inicial”, conclui o publicitário.

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