Clube-empresa: ser ou não ser? Eis a gestão

O futebol brasileiro está repleto de estrelas e grandes destaques ao redor do mundo, sendo por jogadores ou pela paixão da torcida. Porém, não é novidade para ninguém que o mesmo está afundado em dívidas exuberantes que prejudicam um futebol de qualidade.

Recentemente, a notícia que os irmãos Moreira Salles possuem interesse em investir no Botafogo e vender sua parte administrativa para um grupo particular, tornando o clube em uma espécie de empresa, assim como a Companhia Botafogo, empresa criada para administrar o estádio Nilton Santos, nos levou a um questionamento importante: o futebol brasileiro caminha para uma privatização dos clubes?

A moda clube-empresa não é uma novidade no mundo futebolístico. Times europeus já possuem esse modelo de administração que vem como uma nova forma de enxergar o esporte. O futebol tem gerado cerca de 0.01% do PIB brasileiro, o que demonstra que não é só paixão e jogadores correndo atrás de uma bola.

O deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG) desarquivou o PL 5.082/2016, que incentiva os clubes a se tornarem empresas. Segundo o parlamentar, a lei vai estabelecer a possibilidade de fazer isso e não ser questionado juridicamente no futuro.

“A empresa que assume a gestão do futebol não está assumindo o clube, apenas o futebol. Não está nascendo um novo clube. O passivo contraído está no nome de quem tem a obrigação de saná-lo, o clube. A empresa que assume a gestão, em tese, não pode ser responsabilizada por uma dívida que ela não contraiu. Funciona da seguinte forma: um clube associação desportiva sem fins lucrativos, em tese, não pode ser comprado. Uma empresa assume a gestão do futebol profissional e fica responsável pelos lucros e gastos ao longo de sua gestão”, explica o advogado especialista em Direito Esportivo Igor Serrano, em entrevista ao Lei em Campo, do UOL.

Todavia, sabemos que o futebol é alimentado pela paixão do torcedor que, ao exercer sua função de sócio, tem um direito mínimo de voz dentro da administração do clube. A preocupação gerada é que, ao se tornar um clube-empresa, esta ligação seja rompida e a paixão menosprezada por administradores que só veem o esporte como números e cifrões.

É evidente que esse debate é extenso e deve-se levar em consideração diversos fatores não abordados neste texto, mas a frase clássica de que o futebol brasileiro respira por aparelhos não é de todo um exagero. Clubes históricos e grandiosos se afundam em dívidas monumentais, dirigentes incompetentes
e amadores.

Então, caro leitor, será que com uma administração profissional esses problemas serão sanados? Um clube transformado em empresa vem com um certificado de sucesso e prosperidade? Será que esse é o caminho para o futebol brasileiro voltar a ser competitivo mundialmente?

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