Precisamos falar sobre a Seleção Holandesa

A Copa do Mundo acabou, mas nós precisamos falar sobre as vice-campeãs: a Seleção Holandesa. Muito se esperava de uma final entre uma seleção com tradição e que buscava seu tetracampeonato e uma que tem um futuro muito promissor dentro da modalidade.

A Seleção Holandesa conseguiu consolidar o investimento e a força mostrada nos últimos anos, participando da sua segunda Copa do Mundo e chegando invicta na final, com apenas três gols sofridos além de 11 marcados. A Holanda tem em seu histórico feminino o 3º lugar na Eurocopa de 2009, além do título em 2017, o que motivou milhares de torcedores a irem aos estádios para vibrar junto com elas nesta Copa.

Foto: RTP

Uma das razões para este apoio foi também da Federação Holandesa, que colocou ex-atletas de outras modalidades encabeçando a transformação pela qual passou o futebol feminino no país. O desempenho foi excelente e, durante a Euro, a equipe trabalhou com dados que forneciam informações analíticas e estatísticas para que pudessem obter um resultado melhor. E deu certo!

De lá para cá, muitas portas se abriram na Holanda, e com a nova estrutura de dados eles puderam observar que muitas jovens não tinham clubes aos 19 anos de idade. Então, a Federação, através de suas falhas, pode criar ligas profissionais, tornando-se o quarto país com mais jogadoras: 65 mil adultas e 97 mil na base. No Brasil, a realidade é bem diferente.

A Seleção Brasileira, por mais que tenha grandes craques, nunca teve o apoio ou comoção necessária para mudar o atual cenário. Sabemos que esta Copa ajudou bastante neste quesito, mas parecemos longe de adotar o caminho das atuais vice-campeãs mundiais e até mesmo das campeãs. Para se ter uma ideia, só há campeonato de categorias sub-17. Abaixo disso, nem pensar.

As demais seleções e suas atletas reconhecem que no Brasil falta apoio da CBF, mas o que falta para eles mesmos perceberem? A boa notícia é que, possivelmente, haverá mudanças no comando feminino, o que pode mudar a realidade atual da categoria no país. E digamos que é sempre bom ver mais mulheres envolvidas em posições de poder, pois elas podem ousar, tomar decisões difíceis e arriscar. Não nos falta coragem, falta apoio!

Que a Holanda e o Estados Unidos sejam um exemplo, que a nossa federação comece a enxergar as nossas bases como o futuro do futebol feminino no país. Que tenha investimento, que tenha patrocinadores, que tenha torcida e que tenha, principalmente, apoio, seja ele como for!