Caso Renata de Medeiros: um ano, três meses e 29 dias de angústia depois, torcedor acusado de machismo é condenado

Na manhã desta quarta-feira (10), foi condenado pela justiça do Rio Grande do Sul o torcedor Rafael Vinicius Lopes, que ofendeu e agrediu a jornalista Renata de Medeiros, da Rádio Gaúcha, antes do clássico GreNal em 11 de março do ano passado.

Rafael foi condenado a quatro meses de detenção em regime aberto por injuriar Renata. Ele ofendeu a dignidade da jornalista na presença de diversas pessoas. Entretanto, por ser um período curto, a pena pode ser substituída por outra restritiva de direitos consistentes.

Como é de caráter esportivo, o agressor fica proibido de frequentar estádios onde o Internacional de Porto Alegre atuar, seja mandante ou não. O torcedor precisa comparecer em alguma delegacia em dia de jogo por um período de quatro meses, e permanecer entre duas horas antes e duas horas depois de cada confronto. Também terá que pagar a indenização de um salário mínimo em favor da vítima por danos morais.

“O fato ocorreu em público, perante inúmeros torcedores, espaço no qual a repórter realizava um trabalho de larga expressão pública, como repórter de Rádio. Nesse contexto, ser tachada de ‘puta’, expressão comumente utilizada para descrever mulheres que se dedicam à prostituição, traduziu uma conduta de agressividade notadamente constrangedora, para uma mulher que não se dedica a esse tipo de ‘atividade profissional’”, exaltou o juiz Dr. Marco Aurélio Martins Xavier ao declarar sobre a decisão.

Rafael nega as acusações e insistiu que foi um mal-entendido entre as partes, defendendo sua absolvição. Ele poderá apelar à decisão em liberdade.

Foto: Reprodução

Segundo o relato divulgado por Renata na época, ela estava passando pela arquibancada do estádio Beira-Rio e Rafael teria dito “sai daqui, p…”. A repórter pegou o celular e começou a filmar o agressor, com intuito de intimidá-lo, e pediu para que ele repetisse o que havia dito.

Rafael, contudo, se levantou e tentou desferir um soco na repórter. Um segurança do Inter precisou intervir para controlar a situação. O soco não pegou em cheio, mas foi suficiente para deixar um hematoma no braço de Renata. Após o jogo, ela registrou boletim de ocorrência para denunciar o caso.

“Faço questão de sublinhar: a mulher, no ambiente desportivo dos estádios, tem uma função simbólica fundamental, de agregar civilidade, principalmente por demandar o respeito e a proteção dos organizadores e do público, principalmente o masculino. Quando isso não é observado, é forçoso que a tutela jurídico-criminal atue, de modo a restabelecer o equilíbrio social”, declarou o juiz.

Em sua conta oficial no Twitter, Renata destacou a importância da condenação. “Durante todo o processo, abracei uma causa que não era mais só a da Renata, agredida dentro do Beira-Rio. Mas sim de todas as mulheres que gostam de futebol e merecem ir a qualquer estádio sem medo de sofrerem qualquer tipo de agressão. É uma vitória nossa. Não se calem!”.