Venezuela e os planos para o futebol feminino

Em tempos de ascensão feminina no futebol, descobrimos que um país, apesar de ainda em evolução no esporte, faz um trabalho incrível com as meninas.

Durante os últimos 20 anos, o futebol masculino na Venezuela passou por uma evolução. Mas quem ainda sofre são as mulheres, que tentam diminuir anos de atraso. Não é novidade para ninguém e, apesar de ter países que investem e têm uma ótima qualidade para o futebol feminino, em geral, ainda falta muito, e muito deve ser feito.

Tudo começou em 2014, quando os clubes foram obrigados a escalar pelo menos uma menina de 15 anos em seus titulares do sub-14. Esta medida tinha um objetivo: possibilitar uma evolução mais rápida das meninas no futebol, já que estariam jogando com os meninos, onde sabemos que as condições são bem melhores.

Segundo o vice-presidente da Federação Venezuelana, foi uma medida pensada para os Jogos Olímpicos Juvenis, na China. “Tínhamos de ter uma seleção competitiva e a nossa direção entendeu que seria uma boa ideia, um caminho para alcançar o objetivo mais rapidamente”, disse Jesus Berardinelli.

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E, naquela edição dos jogos, em 2014, a equipe feminina venezuelana teve um bom desempenho e chegou até a decisão, perdendo para as donas da casa.

Apesar do ótimo desempenho das meninas na competição, a ideia não seguiu adiante, já que, segundo a Federação local, era apenas emergencial e com o objetivo de alçar naquela competição. Ou seja, competição encerrada, projeto encerrado.

Eles decidiram, então, pensar em ações que fossem mais eficazes e a longo prazo. Por isso, em 2017, todas as equipes profissionais teriam que ter uma equipe feminina sub-16. E, segundo Berardinelli, houve uma evolução: “Nas categorias sub-17 e sub-20 estamos em bom nível. Para a seleção principal vamos contratar uma treinadora italiana que assumirá o comando de todo o projeto. Com a presença dela esperamos chegar ao Mundial em quatro anos”.

A ideia de 2014, por si só, foi bem pensada. Além de incluir as meninas nos times com boas condições de treino, isso também ajuda a trabalhar o tema do preconceito e machismo. No caso, não seria acostumar os meninos a verem meninas jogando com eles. Costume não é o que procuramos. O certo seria dizer que os meninos veriam o quão é normal uma menina jogar bola. Deveria ser começado com as crianças, pois elas são até mais maduras e aceitam melhor as “diferenças”.

A Seleção Feminina foi criada apenas em 1991, e jamais chegou ao Mundial. Mas, apesar disso, o cenário feminino do futebol venezuelano tem muito do que se orgulhar.

A categoria feminina tem uma medalha de ouro nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe, conquistada em 2010, e três medalhas de bronze: Copa América de 1991, Jogos Bolivarianos em 2009, e a última nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe no ano passado.

As seleções de base também tiveram suas conquistas: sub-20 conquistou o vice-campeonato no Sul-Americano de 2015 além uma medalha de prata nos Jogos Bolivarianos, em 2013, e duas de bronze (2009 e 2017). No sub-17, foram dois títulos Sul-Americanos em 2013 e 2016.