O que aprendemos com a Copa do Mundo Feminina?

Neste ano, com a Copa do Mundo Feminina, o futebol começou a ser visto com outros olhos e, a passos lentos, a modalidade foi ganhando força ao longo da competição, gerando, finalmente, o avanço que queremos, mas sabemos que ainda falta muito mais.

Nós temos conhecimento de que a falta de atenção ao futebol feminino é também resultado da discriminação cultural, e isso não é só no Brasil. Frases como “futebol feminino é chato” são repetidas diariamente, e eu aposto que em algum momento você já se deparou com essa questão, seja ouvindo ou falando.

Mas vamos combinar, quem fala essa frase provavelmente não viu a disputa entre o Brasil e França ou Itália, tanto faz, afinal tivemos diversas oportunidades ao longo da competição que mostraram isso para o mundo inteiro, seja com a Seleção Brasileira ou com as demais.

Foto: Divulgação/CBF

Depois do argumento de que é chato, a questão da falta de atenção da mídia também surge como “não tem audiência”. Será mesmo? O jogo com as francesas bateu recorde de audiência mundial, e segundo os dados do IBOPE e informações divulgadas pela FIFA, só no Brasil a audiência chegou a 35.245 milhões.

Agora fica a dica para as emissoras transmitirem outros campeonatos femininos também, sem desculpas para a audiência desta vez. Outro recorde batido foi a questão da bilheteria e público nos estádios, sendo mais de 720 mil ingressos comercializados 50 dias antes do início do evento. Depois, o número foi evoluindo de acordo com a capacidade máxima dentro dos estádios.

Agora vem cá, sabe aquele discurso de que mulher não sabe jogar futebol? Diz isso para a Formiga, que jogou sua sétima Copa do Mundo com 41 anos, ou até mesmo para a Marta, que ganhou seis vezes o troféu de melhor do mundo e, aos 33 anos, ainda desconcerta qualquer jogadora com seus dribles e passes, além de bater o recorde de gols em Copa, superando o jogador alemão Klose.

Eu concordo que não foi a melhor Copa delas, mas qual atleta masculino tem alto rendimento com essa faixa etária? Elas jogaram o simples e fizeram diferença dentro da equipe com seus passes e dribles, além de experiência.

Por mim, podem dizer que futebol não é coisa de mulher, mas a Copa do Mundo mostrou o contrário, e os números estão aí para comprovar. Mesmo com a derrota da Seleção Brasileira, nós pudemos observar que ganhamos. Ganhamos o olhar da mídia e também a relevância e inclusão das mulheres nas propagandas e coberturas esportivas.

Este foi um primeiro passo para a modalidade que ainda sofre com preconceito, falta de investimento, falta de estrutura e muito mais. Nós ganhamos uma visibilidade que ainda vai atrair mais pessoas e, quem sabe, estimular no investimento do futebol feminino também dentro dos clubes brasileiros.

Essa foi uma das nossas principais conquistas nesta Copa do Mundo, e a palavra conquista representa um sentido muito mais amplo do que o alcance dos primeiros lugares nos torneios e competições. Ela representa avançar mesmo que seja um único passo, e esperamos que essa conquista seja diária dentro e fora de campo.

Foto: Assessoria/CBF