Quartas de final da Copa do Mundo deixa lição para outros continentes

Chegamos às quartas de final da Copa do Mundo com quase 100% de seleções europeias. Dos oito países que ainda disputam a taça, sete são da Europa. A exceção é a equipe dos Estados Unidos, que é a atual campeã mundial e uma das favoritas ao título. Esse dado merece destaque, já que na última edição, em 2015, somente três times do continente chegaram a essa fase.

A vitória da Holanda sobre a Seleção Japonesa afirmou o recorde de europeus nas quartas de final da Copa do Mundo. Depois da partida, a atacante holandesa Vivianne Miedema foi questionada sobre o cenário. “Agora parece que estamos jogando uma Euro”, brincou.

Foto: Reuters/Lucy Nicholson

Mas é basicamente isso. E há motivos que, além de explicarem o caso, servem de lição para outros países, principalmente para o Brasil.

Investimento

Não podemos discordar que a Seleção Brasileira, mesmo com desfalques, poderia eliminar as anfitriãs nas oitavas de final, já que o gol da eliminação canarinho saiu apenas no segundo tempo da prorrogação.

Porém, ao mesmo tempo, é necessário ressaltar o trabalho que foi realizado no futebol feminino da França nos últimos anos. Sem dúvidas, é a base do sucesso que a seleção vem fazendo dentro ou fora das quatro linhas.

É um trabalho que também passou a ser feito na Inglaterra e, recentemente, na Itália. Pensando pelo lado histórico, estamos citando equipes com menos tradição e participação em Copas do Mundo que o Brasil.

Todas as seleções europeias que chegaram às quartas de final têm um trabalho em comum, que foi intensificado nos últimos quatro anos: uma liga organizada e forte, com grandes jogadoras, que atrai atenções. Para concretizarmos a ligação, lembramos de uma observação que nossa camisa 10, Marta, fez após a eliminação: a base da Seleção Francesa é toda do Lyon.

Interesse da população

Nos torneios europeus, o interesse da torcida local pelo futebol feminino aumentou consideravelmente com a força que as ligas passaram a ter. Isso faz gerar audiência, interesse de quem está de fora e, consequentemente, mais investimento.

A seleção da Espanha foi eliminada pelas norte-americanas depois de um jogo duro, mas também é exemplo dessa mudança. Lotou estádios em competições femininas e criou uma conexão com a torcida. Não por acaso, o Real Madrid finalmente anunciou que terá um time feminino a partir de 2020.

Categorias de base

Foto: Reuters

Um dos assuntos debatidos diversas vezes, e que se espera mudanças não só no Brasil, mas também em outros países, é o desenvolvimento da base. Inclusive, foi um dos pilares que ajudaram as seleções europeias a chegarem no topo. Somente neste ano, teremos um torneio sub-18 no futebol feminino brasileiro, algo que países como Inglaterra e França realizaram na última década.

Com todas essas análises feitas, a certeza que ficamos é de que as quartas de final da Copa do Mundo serão acirradas, nos proporcionando um campeonato ainda mais incrível. Os jogos começaram nesta quinta-feira (27), entre Inglaterra e Noruega. As inglesas levaram a melhor, aplicando uma goleada nas norueguesas e garantindo a vaga na semifinal por um placar de 3 a 0.

Amanhã, entram em campo França e Estados Unidos, às 16h. Sábado tem dose dupla com Itália x Holanda, às 10h, e Alemanha x Suécia, às 13h30.