Copa do Mundo Feminina: História da Seleção Brasileira Feminina

Durante anos, o futebol feminino foi ilegal, proibido por lei segundo o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941 – que seguiu até 1983 – assinado pelo então presidente da republica, Getúlio Vargas, e só começou a se estabelecer no inicio da década de 80.

O caminho foi longo para a modalidade ser oficialmente reconhecida. Apenas ao final dessa década que a FIFA voltou seus olhos para o futebol feminino e passou a organizar uma Copa do Mundo para as mulheres.

A praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi o primeiro palco das peladas femininas. Nessa época, os times ainda levavam o nome das ruas da cidade estampadas em suas camisas. Os campeonatos de futebol de areia voltados para as mulheres também começaram a surgir e o público passou a se interessar pela modalidade.

Em uma fusão entre Belfort Roxo e Esporte Clube Radar, nasceu o primeiro time feminino do país, em 1981, que teve seus primeiros chutes na praia para depois chegar aos gramados, no ano seguinte. Na época, as jogadoras não recebiam salários, apesar de os times possuírem patrocínio.

As meninas ganharam seis Taças Brasil consecutivas, seis cariocas e um Torneio Brasileiro de Clubes. As jogadoras do Esporte Clube Radar formaram a base da primeira Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo, em 1991.

Antes de ser oficializado, um campeonato serviu como teste antes do Mundial. Ele foi criado pelo João Havelange, então presidente da FIFA. Em 1988, o Torneio Internacional da China contou com a participação de 12 seleções. O Brasil, com as garotas do Radar, conquistou o terceiro lugar, derrotando as chinesas nos pênaltis.

Foto: Reprodução

A Seleção Brasileira disputou sua primeira partida em 1986, quando enfrentou os Estados Unidos em um amistoso internacional e foi derrotada por 2 a 1. Até hoje, participou de todas as edições da Copa do Mundo Feminina e do Torneio de Futebol dos Jogos Olímpicos. Além disso, também compete em amistosos internacionais e outras competições, como os Jogos Pan-Americanos, o Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino e, anualmente, desde 2009, disputa o Torneio Internacional de Futebol Feminino.

A Seleção Brasileira Feminina é a melhor seleção da América do Sul. Além disso, tem a melhor jogadora do mundo, Marta, camisa 10 e eleita por 5 anos seguidos pela FIFA (de 2006 a 2010) e, mais uma vez em 2018, como a melhor jogadora de futebol do planeta.

Também é considerada uma das melhores seleções de futebol feminino do mundo. Apesar de ter pouco, e muitas vezes nenhum apoio dos dirigentes, torcida e imprensa, sempre está bem posicionada no ranking da FIFA. Porém, ainda não possui um título de expressão em nível mundial.

O Brasil era uma das seleções favoritas ao título da Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2007, chegando pela primeira vez à final, e obteve o 2º lugar, sua melhor colocação na competição até hoje. Foi derrotada na final para a Alemanha, por 2 a 0.

Já em 2008, a Seleção Brasileira participou dos Jogos Olímpicos de Pequim. A vaga para as Olimpíadas veio alguns meses antes, em um amistoso de repescagem contra Gana, partida que o Brasil venceu por 5 a 1.

As nossas meninas eram as grandes favoritas para a conquista da medalha de ouro, fazendo uma boa campanha e derrotando adversárias fortes, como a Coreia do Norte na primeira fase, Noruega nas quartas de final e com direito a um 4 a 1 sobre a então campeã mundial, Alemanha, na semifinal. A grande final foi contra a seleção dos Estados Unidos, e o duelo foi equilibrado. O Brasil pressionou bastante, teve mais chances de gols e jogou melhor durante grande parte do jogo, mas acabou sendo derrotado por 1 a 0 na prorrogação, ficando com a medalha de prata.

Em 2011, o Brasil disputou a Copa do Mundo de Futebol Feminino na Alemanha. Treinada por Kleiton Lima, a equipe que tinha jogadoras como Marta, Cristiane e Érika encerrou a primeira fase com 100% de aproveitamento e a melhor campanha dentre as 8 seleções que se classificaram para a segunda fase: 3 vitórias em 3 jogos, 7 gols marcados e nenhum sofrido.

Nas quartas de final, Brasil e Estados Unidos fizeram uma espécie de final antecipada. Em um jogo emocionante, a partida terminou empatada por 1 a 1 nos 90 minutos do tempo regulamentar. Nos 30 minutos da prorrogação, novo empate por 1 a 1, e a vaga na semifinal foi decidida nos pênaltis, sendo conquistada pelas norte-americanas por um placar de 5 a 3.

Em 2012, meses antes das Olimpíadas, as brasileiras disputaram amistosos internacionais e foram campeãs de um torneio amistoso na Suíça, derrotando Colômbia e Canadá. Nas Olimpíadas de Londres, a equipe dirigida pelo técnico Jorge Barcellos chegou como uma das favoritas à conquista da medalha de ouro. Na primeira fase, derrotou Camarões por 5 a 0 e Nova Zelândia por 1 a 0. Já classificada para a segunda fase, foi derrotada pela Grã-Bretanha por 1 a 0. Nas quartas de final, o Brasil foi derrotado pelas então campeãs mundiais japonesas por 2 a 0 e acabou eliminado. Foi a primeira vez desde Atlanta 1996 que o Brasil não chegou na fase semifinal do futebol feminino em Olimpíadas.

Em 2014, o Brasil conquistou dois títulos: o Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino, disputado no Equador, além de garantir uma vaga na Copa do Mundo, nos Jogos Pan-Americanos de 2015 e no Torneio Internacional de Futebol Feminino em Brasília. Em uma das partidas, derrotou a seleção dos EUA de virada por 3 a 2.

Em 2015, as brasileiras participaram pela primeira vez da Algarve Cup, em Portugal. O torneio serviu como preparação para o Mundial no Canadá, e o Brasil não fez um bom papel: empatou em 0 a 0 com a China, ganhou da Suécia por 2 a 0 e perdeu para a Alemanha por 3 a 1, ficando fora da decisão. Goleou a Suíça por 4 a 1, mas terminou em um modesto 7º lugar.

Antes do Mundial, as meninas foram derrotadas novamente pela Alemanha por 4 a 0, em um amistoso disputado em Fürth, Alemanha. No Mundial do Canadá, as brasileiras derrotaram a Coreia do Sul, a Espanha e a Costa Rica na fase de grupos, por 2 a 0, 1 a 0 e 1 a 0 respectivamente. Nas oitavas de final, sofreu seu primeiro gol na competição e foi derrotada pela Áustria.

Após a eliminação no Mundial, o Brasil participou do Torneio Feminino de Futebol dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, Canadá, e conquistou a medalha de ouro ao vencer todos os cinco jogos disputados. Após o Pan 2015, disputou mais alguns amistosos internacionais: em setembro perdeu para a França por 2 a 1, em outubro disputou dois amistosos contra os Estados Unidos, empatando em 1 a 1 em Seattle, e foi derrotada por 3 a 1 em Orlando. Disputou dois amistosos contra a Nova Zelândia e perdeu o primeiro por 1 a 0, em São Paulo, porém venceu o segundo por 5 a 1, em Cuiabá, antes de encerrar o ano com a conquista do título invicto do Torneio Internacional de Futebol Feminino realizado em Natal, Rio Grande do Norte.

Em 2016, durante a fase de preparação para os Jogos Olímpicos, o Brasil disputou mais uma vez a Algarve Cup, e enfrentou as seleções da Nova Zelândia, Portugal e Rússia. Chegou à final, mas foi derrotado pelo Canadá por 2 a 1, ficando com o vice-campeonato. Disputou mais dois amistosos contra o Canadá com uma vitória para cada lado.

Na primeira fase das Olimpíadas 2016, as brasileiras derrotaram a China por 3 a 0, a Suécia por 5 a 1 e empatou com a África do Sul por 0 a 0 na primeira fase. Nas quartas de final derrotou a Austrália por 7 a 6, em uma emocionante disputa por pênaltis após empate sem gols no tempo normal e na prorrogação.

Foto: Reprodução

Na semifinal enfrentou novamente a Suécia em busca da primeira medalha de ouro olímpica do futebol brasileiro. Apesar de jogar melhor do que as escandinavas durante todo o tempo regulamentar e prorrogação, a partida terminou em 0 a 0 e, novamente, o Brasil decidiu a sorte nos pênaltis, e as suecas levaram a melhor. Na disputa pela medalha de bronze, na Arena Corinthians, em São Paulo, perdeu de 2 a 1 para o Canadá e ficou de fora do pódio.

Em 2017, participou de dois torneios amistosos: entre julho e agosto disputou o Torneio das Nações, nos EUA, terminando em último lugar ao empatar com o Japão em 1 a 1 e perder para os Estados Unidos e Austrália por 4 a 3 e 6 a 1 respectivamente. Em outubro foi convidada para jogar a Copa CFA, torneio realizado em Chongquin, China, e foram campeãs ao derrotar o México (3 a 0), a Coreia do Norte (2 a 0) e empatar com a China (2 a 2).

O ano de 2018 não foi confortável à nossa seleção, vindo de muitas derrotas. Porém, a Copa do Mundo de 2019 chegou, e as meninas estão preparadas para honrarem a camisa amarelinha como sempre estiveram. Nós ficamos na torcida.