O que tem por trás das quatro linhas?

Torcedor canta, vibra, xinga quando necessário, apoia o time em várias situações e, mesmo assim, há situações que não podemos explicar uma derrota ou até mesmo quando o time joga razoavelmente bem e ganha.

Não é categórico o que vou dizer, mas muitas vezes uma partida pode ser comprada para favorecer algum time. E não, isso não acontece somente aqui no Brasil como muitos devem pensar.

Em 2002, o jornal francês Le Monde organizou uma série de situações envolvendo alguns casos de corrupção junto ao futebol. De acordo com Patrick Vassort, a quem escreveu a reportagem, “o futebol baseia-se em dois parâmetros: uma engrenagem mafiosa que busca o lucro máximo e uma ideologia baseada no princípio da força, da violência”. Vassort também fala sobre o caso da CBF e da empresa ISL Worldwide que garantia os patrocínios no mundo esportivo global.

Isso gera um desconforto e até mesmo pode explicar uma derrota ou aquela vitória de um time em uma ótima fase mesmo não jogando tão bem.

Você sabe o nome dado?

Então, muitas vezes, por trás das quatros linhas há o que chamam de mala branca e mala preta. Defendida ou criticada por muitos, ambas favorecem um só time. O famoso doping financeiro ou mala branca, é o incentivo pago a uma equipe para ganhar a partida e favorecer a equipe que foi responsável pelo pagamento. Ao contrário da mala preta que a equipe recebe para perder a partida.

E, como disse anteriormente, isso é ligado mundialmente. Enquanto escrevia essa matéria, os noticiários espanhóis comunicavam sobre jogadores e dirigentes presos em operação por suspeita de corrupção no futebol da Espanha.

O jornal Marca cita os nomes de Raúl Bravo, Borja Fernández, Carlos Aranda, Iñigo López, Agustín Lasaosa e Juan Carlos Galindo como detidos e explica que, no jogo válido pela penúltima rodada da Segunda Divisão Espanhola na temporada 2017/18, a derrota do Huesca para o Gimnàstic para o início da investigação.

Mas, não é só sobre esse assunto que acontece nos bastidores dos clubes. Há casos que não envolvem jogos ou a paixão ligada ao esporte.

No último domingo (28), o Fantástico mostrou uma investigação da Polícia Civil de Minas Gerais que apura indícios de denúncias sobre falsificação de documento particular, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro na administração do Cruzeiro.

De acordo com a reportagem, em abril do ano passado, o clube mineiro repassou 20% dos direitos de um jogador de 11 anos —da categoria de base do clube —como dívida a um empresário, o que é crime como consta na Lei Pelé e nos Direitos da Criança e do Adolescente. Antes disso, o clube já havia afirmado que não poderia pagar a dívida e, em lista de dez atletas, ofereceu esses jogadores a um empresário.

O porém: desde 2015 a FIFA proíbe que empresários tenham direitos sobre um jogador. Eles só podem pertencer ao jogador e ao clube. E, o empresário em questão, não é habilitado para o cargo segundo consta a CBF.

No estudo mostrado pelo programa, a Polícia Civil investigou a ligação do clube com uma empresa, que consta no balancete contábil do Cruzeiro, e que tem seu nome ligado a práticas de extração de madeira em florestas plantadas e comércio varejista de madeira e artefatos, além do agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas.

Há também a investigação baseada em pagamentos feitos pelo clube a torcidas organizadas, entre elas a Máfia Azul e aos salários dos dirigentes que são altos em relação a dívida do clube.

De acordo com o advogado Bichara Abidao Neto, que cedeu entrevista para a reportagem do Fantástico, o Cruzeiro corre o risco de não poder contratar jogadores além de multas, proibição de transferências de jogadores e registro de atletas.

Patrick Vassort, quando escreveu a reportagem ao Le Monde, citou que o futebol além do esporte é um setor econômico para a sociedade de mercado. Nós podemos torcer, vibrar, ser apaixonado pelo time do coração, e mesmo assim, não sabe o que acontece além dos noventa minutos.

Fonte: Coletiva.net