A salvação que vem da base

Por: Thais Nogueira

”Craque, o Flamengo faz em casa” – Era esse o slogan que o time rubro-negro ostentava na década de 80. E isso deveria ser verdade. As categorias de base não têm função mais importante do que formar jogadores que um dia, muito provavelmente, servirão ao elenco profissional do clube.

Porém, aquilo que deveria acontecer de uma forma gradual, afinal estamos falando sobre o processo de formação de um atleta, acaba se tornando a solução mais rápida para a crise de elenco de muitas equipes.

Salvo exceções como Cristiano Ronaldo, Messi e outros atletas que são pontos fora da curva, podemos dizer que o auge de um atleta dura pouco tempo. Por volta dos 24 aos 29 anos, é o melhor momento da carreira de um jogador de futebol. Mais jovens do que isso, lhes sobram vigor físico, mas lhes faltam maturidade tática e visão de jogo. Mais velhos do que isso, os muitos anos de experiência nos gramados não conseguem compensar a resistência e a agilidade que já não são mais as mesmas.

No Brasil, poucos clubes podem contar com profissionais com essa média de idade. É o período em que eles mais interessam ao mercado internacional, seja europeu, asiático ou árabe. Flamengo e Palmeiras talvez sejam os únicos com poder financeiro suficiente para segurar esse perfil de atleta. Aos clubes brasileiros, só resta-lhes repatriar jogadores que, depois de atuarem por muitos anos na Europa e depois passarem algumas temporadas ajuntando uma pequena fortuna na China, desejam retornar ao país natal. Muitos até em fim de carreira.

Ou… a solução mais barata que um time pode encontrar: procurar entre tantos garotos da base, alguns para se tornarem heróis. Em um combo 2 em 1, resolvem dois problemas: suprir a ausência de jogadores vendidos e dar sobrevida à um elenco envelhecido, formado pelos tais jogadores repatriados.

Futebol é coisa de momento. O futuro desses jovens ainda é incerto. Seguimos torcendo para que eles deixem o status de promessa, e que esse protagonismo se estenda ao longo dos anos.

Veja abaixo uma lista de clubes que descobriram que a salvação pode vir da base:

Athletico Paranaense:

Das categorias de base ao título da Sul-Americana. Esse foi o caminho percorrido por Renan Lodi, que chegou ao clube aos 13 anos, e no ano passado, aos 20, foi peça importante na campanha do Furacão pelo título continental.

Fluminense:

Foto: Divulgação/Fluminense

No sábado passado (18), a goleada por 4 a 1 diante do Cruzeiro fez os olhos se voltarem para a dupla Marcos Paulo e João Pedro. Tendo, este último, feito dois gols na partida. Os dois jogadores formados em Xerém se juntam agora a um antigo colega dos tempos de categoria de base, o atacante Pedro, que antes de se lesionar no ano passado, chegou a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro.

São Paulo:

Com um início de temporada ruim, a saída da equipe foi recorrer ao ‘meninos de Cotia’. Antony, que tinha acabado de ganhar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, foi promovido a equipe principal. E junto com Igor Gomes e Liziero, também formados em Cotia, conseguiram dar um fôlego a equipe e levá-la à final do Campeonato Paulista.

Corinthians:

Campeão brasileiro em 2017, o Corinthians viu seu elenco se desfazer quase por completo no ano seguinte. A saída de vários jogadores abriu espaço para a entrada de Pedrinho. Campeão da Copinha

em 2016, foi dele o segundo gol da semifinal na Copa do Brasil do ano passado. Gol esse que classificou o Corinthians para a final da competição.

Grêmio:

O tricolor gaúcho passou por um problema parecido com o do Corinthians. Depois de um 2017 vitorioso, perdeu alguns jogadores e viu Luan, seu principal jogador, cair de rendimento. Agora em 2019, o jovem meio-campista Jean Pyerre é a aposta da vez.

Santos:

Uma das categorias de base mais tradicionais não poderia ficar de fora. Depois de Neymar, o ‘menino da Vila’ mais recente a se destacar foi Rodrygo. Embora já vendido ao Real Madrid, ele segue sendo importante na equipe santista, principalmente após as saídas de Gabigol e Bruno Henrique.