Desculpe o transtorno, mas essa chacota tem que acabar

Neste domingo de Dia das Mães, assistimos a mais uma rodada do Campeonato Brasileiro de 2019, apenas a quarta dessa extensa competição. Particularmente, abordarei o jogo entre Santos e Vasco, no Pacaembu, às 16h, onde o clube vitorioso foi o time paulista por 3 a 0, que poderia ter sido 15 a 0 senão fosse a mira descalibrada dos santistas.

O que deixou evidente nesse jogo é a fragilidade do time carioca, que começou o campeonato mostrando para seus torcedores que esse não será um ano de paz aos cruzmaltinos. Coisa que não vem acontecendo desde 2011. O torcedor vascaíno, e isso posso dizer com propriedade, está exausto. Exausto da diretoria fazendo o que quer com um clube gigante e histórico; exausto com jogadores medíocres que pensam ser mais do que realmente são; exausto com a falta de respeito com o torcedor que vai ao estádio apoiar e é recepcionado com um time apático e sem a menor organização tática.

O elenco do Vasco da Gama não é o pior do campeonato, possui jogares medianos que se estiverem com o psicológico trabalhado e motivados a jogar, alcançarão os resultados necessários. O problema é que a culpa cai de colo sem que o real responsável por essa bagunça dê a cara a tapa. Alexandre Campello é um dirigente inexperiente que fez de tudo para chegar ao poder e não sabe o mínimo para se manter lá, muito menos tem conhecimento necessário para tirar o clube da crise que está afundado.

Então veio o Craque do Jogo, uma votação aberta pela TV Globo na qual os torcedores escolhem o jogador que julgam ter sido o melhor da partida. Sidão entra como personagem principal desse domingo. Analisando bem, o goleiro veio para ser reserva do Fernando Miguel, que tem o carinho e apoio da torcida, mas que infelizmente entrou na areia movediça que é o departamento médico do clube.

Sidão foi um goleiro de destaque em sua passagem pelo Botafogo, foi com moral para o São Paulo, caiu muito de rendimento na equipe paulista e foi vendido para o Goiás. Sem espaço no alviverde, recebeu a chance de jogar no Vasco da Gama, a torcida era contra, o presidente despreparado bancou sua contratação e o jogador já chegou pressionado.

Porém, nessa altura do campeonato, podemos colocar culpa de falhas na pressão que um jogador de futebol sofre? Podemos responsabilizar a torcida por ser desconfiada e ressentida por tanta dificuldade enfrentada? Não podemos. Sidão falhou diretamente em pelo menos dois dos três gols sofridos no jogo de ontem. Todas as suas saídas de bola foram equivocadas e o jogador não teve o menor domínio da bola. Sim, o torcedor vascaíno estava sem paciência. O torcedor vascaíno centralizou seu descontentamento em um jogador, mas levemos em conta toda a circunstância citada acima.

Os votos para o Craque do Jogo não foram com o intuito de humilhar ou denegrir o jogador, foram uma válvula de escape para uma massa apaixonada que não aguenta mais ser humilhada toda rodada com atuações pífias de profissionais medianos. O Sidão não merecia ser humilhado em rede nacional, o prêmio não deveria ter sido entregue, ele nem sequer deveria estar apto a voto.

Entretanto, o torcedor vascaíno vem sido humilhado há tempo. Pela diretoria omissa e despreparada, por partidas apáticas, por jogadores soberbos, por rivais emocionados.

Sidão, eu me compadeço com seu constrangimento. Você é um ser humano, não merece ser humilhado depois de um “dia de trabalho”. Mas o torcedor vascaíno é feito de palhaço há muito tempo e ninguém se compadece com sua dor. Desculpe o transtorno, mas essa chacota tem que acabar.

Foto: Reprodução