A estrela do futebol também merece brilhar fora de campo!

“Os conselheiros do Santos FC abaixo-assinados vêm a público para repudiar o conteúdo racista de um áudio enviado por um conselheiro do clube e funcionário da cidade de Santos”. Assim inicia-se a nota de repúdio dos membros do Conselho do Santos Futebol Clube ao ato de racismo de um dos seus conselheiros.

Na última quinta-feira (18), em áudio vazado na internet, Adilson Durante Filho cita que “pardos e mulatos brasileiros são todos mau-caráter”. Não é de hoje que vemos situações como essas, principalmente quando ligadas ao futebol.

O caso de Adilson, que no outro dia pediu exoneração do cargo de secretário-adjunto de Turismo da cidade de Santos, está ligado ao futebol por ele fazer parte do conselho do clube alvinegro.

O Santos tem uma torcida conhecida como Santos FC Antifascistas, que divulgou o vídeo com o áudio e nos comentários várias pessoas pediam a saída de Adilson do cargo. Os membros do Conselho coletaram 20 assinaturas de integrantes do Conselho Deliberativo para protocolar à Comissão de Inquérito e Sindicância.

Antes deste caso, outra situação parecida aconteceu em Praga, na República Tcheca. No último dia 11, o Chelsea foi até a capital tcheca jogar contra o Slavia Praha em partida pelas quartas de final da Liga Europa.

Como convidado, o clube inglês disponibilizou 1.077 ingressos para torcedores irem a Praga assistir a partida. Três torcedores do Blues que aguardavam o início da partida em um bar na cidade, gravaram um vídeo falando que Mohamed Salah, jogador do Liverpool de origem egípcia, é um “homem-bomba”.

As declarações islamofóbicas viera à tona e, com a ajuda do departamento de segurança do clube, a diretoria do Chelsea reconheceu os três torcedores e barrou suas entradas.

Em comunicado, o clube inglês repudiou o ato e disse que “(…) tais indivíduos são uma vergonha para a vasta maioria dos torcedores do Chelsea, que não irão tolerá-los em seu clube”, ainda afirmado na nota que iria tomar medidas mais severas o mais rápido possível.

O Liverpool também publicou uma nota dizendo que devem ser seguir o protocolo de reconhecimento e punição aqueles que cometem um crime de ódio.

Como em vários outros textos que falam sobre o assunto, isso não é de hoje. Aconteceu no Brasil, em Praga, e também na Itália em partida entre Lazio x Milan pelo Campeonato Italiano.

Após o fim da partida, com vitória do Milan, pôde escutar que alguns torcedores do time da casa gritavam ofensas ao jogador francês Tiemoue Bakayoko. Não é a primeira vez que se vê esse tipo de atitude dos torcedores do clube romano.

Não é à toa a palavra respect escrito nas faixas dos capitães de alguns clubes ou seleções europeias, e muito menos, a #somostodosiguais. O futebol é uma mistura de alegria, amor, reconhecimento.

A Kick It Out, uma ONG inglesa que luta pela igualdade e contra a discriminação na Inglaterra, disse na publicação do vídeo dos torcedores do Chelsea que “não é nas arquibancadas, mas mesmo assim é uma vergonha”.

Imagina ir ao estádio, em um clássico, seguro de que nada de violência vai acontecer? As arquibancadas de lado lotada com um time e do outro lado, o rival. Todos apoiando os seus clubes com amor? Não iria ser mágico? O respeito precisa ser dentro e fora de campo.