Lusa: o pesadelo continua

Um dos mais tradicionais clubes da capital paulista, a Associação Portuguesa de Desportos, está vivendo um pesadelo. Fundada em 14 de agosto de 1920, a Portuguesa, conhecida também como Lusa, surgiu da fusão de cinco clubes de origem portuguesa. Sua primeira sede foi instalada no bairro do Cambuci. Na década de 40, mudou-se para o Largo São Bento, no Centro, e posteriormente adquiriu o terreno às margens do Rio Tietê, que pertencia ao São Paulo Futebol Clube. Sua inauguração ocorreu em 1972.

O clube por muito tempo consistiu em formar grandes atletas, como Félix, Dener, Enéas e Leivinha. Também contou com a presença de Djalma Santos, Edu Marangon, Basílio, Leandro Amaral, Tite ainda como jogador em 1984, e o treinador Zagallo.

Entretanto, os últimos tempos têm sido de pouco futebol e muita discussão nos bastidores, isso porque a degradação e o abandono das instalações do Canindé (nome dado ao Estádio da Portuguesa), vem incomodando a todos.

A Lusa conta com mais de 60 processos trabalhistas, um deles tem a ver com a trágica morte de um jogador da base na piscina do complexo, em 2016. Só este caso rendeu ao clube uma condenação de 450.000 reais, em valores atualizados, o que levou o clube a realizar leilões.

O último leilão aconteceu na última quinta-feira, com o lance mínimo de R$ 164 milhões, sendo que se refere a uma das 13 ordens judiciais que pedem a penhora do imóvel. O clube resta torcer para que não haja interessados, pois caso seja penhorado a área de 42 mil metros quadrados, o arremate ficará com 60% do total do estádio. O restante do espaço já pertence à prefeitura da cidade.

Para afastar interessados, uma parte da torcida está se mobilizando com um pedido para não ocorrer o tombamento do Canindé, visto que ele é um patrimônio histórico. E embora o processo seja burocrático e demorado, os órgãos podem avaliar o pedido, para que o mesmo não seja alterado. A torcida aposta nisso e no receio de ter que ver um terreno sendo inutilizado.

A morte lenta e agonizante da Lusa é fruto do modelo associativo, que é o sinônimo para a corrupção, falta de transparência e amadorismo. Casos como este acontecem diariamente. Não por acaso, os clubes estrangeiros ganham força sobre os torcedores brasileiros, principalmente entre as crianças e adolescentes, que são o futuro do esporte. E esse caso da Portuguesa, é o reflexo do que vem acontecendo cada vez mais nos clubes brasileiros.

Foto: Luiz Nascimento