Você conhece a história do Jornalismo Esportivo? Porque a representatividade importa

Um dos assuntos mais debatidos aqui no nosso blog é o direito que nós mulheres temos sobre o futebol ou qualquer outro esporte. Estamos aqui dia após dia tentando quebrar paradigmas e esteriótipos impostos pela sociedade de que o futebol tem um gênero.

Há quem ache isso besteira nos dias vigentes, mas garanto que não é. Atire a primeira pedra a mulher que nunca ouviu um “você sabe o que é impedimento?” ou recebeu aquela olhada “torta” quando frequentou o estádio. Pois é, acho improvável alguém atirar essa pedra. Infelizmente.

Nos últimos dias tenho tido, como experiência pessoal, ligação direta com assuntos sobre a desigualdade de gênero e o jornalismo esportivo no seu viés mesmo, o início de tudo. E foi ai que veio a grande decepção.

Não é novidade que na balança da igualdade nós estamos na parte mais baixa, eu sei. Mas é extremamente perigoso saber que nos materiais didáticos sobre a história do nosso amado futebol, não existe sequer vestígios de uma mulher. Tenho lido artigos e livros sobre, por exemplo, as primeiras transmissões televisivas do futebol, no auge da TV Tupi, Rede Manchete e por aí vai. Encontro relatos incríveis sim de experiências jornalísticas, mas em todas elas são nomes masculinos que veem à tona.

Não é de desmerecer o talento e a capacidade de ninguém, jamais. Mas, pelo menos eu parei pra me perguntar: “as mulheres nessa época já não se interessavam pelo futebol?” Basta mais alguns minutos de pesquisa pra se deparar com absurdos do tipo:

– No início da era da televisão, alguns maridos tinham o direito em mãos de afirmar para as suas esposas que o futebol era algo agressivo demais para elas assistirem.

Sendo que, se procurarmos um pouco mais no passado, vamos descobrir que na década de 70 pra 80, as mulheres eram proibidas de assistir as Olimpíadas.

Eu assumo e agradeço que hoje as situações mudaram um pouco. Sim, pouco para o tanto de desigualdade que ainda nos deparamos no dia a dia. O intuito desse texto é ressaltar o quanto é necessário nosso posicionamento diário, o quanto esse blog aqui é uma forma de militância e resposta para uma sociedade tão desrespeitosa com a maior parte da população, segundo o IBGE.

Se hoje possuímos o direito de fala, de escrever esse texto é graças a uma luta incomparável. Precisamos mudar essa realidade, para quando alguém daqui a uns anos for pesquisar sobre esses assuntos, encontrar nomes como os nossos nas páginas dos artigos e assinando os finais dos livros. Nós podemos muito mais! Não sei se você conhece a história do jornalismo esportivo, mas sei que daqui em diante conhecerá uma ainda melhor.

Prazer, nós somos RAINHAS DO DRIBLE.

Foto/Reprodução: No ângulo