Brasil x Inglaterra: um contraste entre os campeonatos de futebol feminino

Recentemente aqui no Rainhas nossa colunista, Akemy Morimoto, falou sobre as dificuldades já enfrentadas pelas jogadoras de futebol na recém iniciada temporada do Campeonato Brasileiro Série A2.

Diante das dificuldades que nossas meninas enfrentam para jogar futebol aqui em nosso país, observamos que a realidade enfrentada por elas, já não é há algum tempo vivida por atletas de times europeus.

Historicamente, o futebol feminino chamou atenção durante o início da Primeira Guerra Mundial. Em 1914, mais exatamente há 26 anos de sua criação, o Campeonato Inglês precisou ser interrompido por conta da Guerra, já que até mesmo os jogadores profissionais estavam sendo convocados para juntar-se ao exército. Com isso, as mulheres, que ficaram com todo o trabalho fabril feito pelos homens, perceberam que também tinham o direito de calçar as chuteiras, e assim em 1917 nasceu a Challenge Cup que lotava os estádios ingleses.

Anos depois, o que se vê no país é que as mulheres têm cada vez mais ganhado um espaço no esporte. Recentemente, a associação que comanda o futebol no país britânico, The Football Association, ou simplesmente FA, deu mais um grande um passo para a melhoria das condições das partidas femininas. A organização fechou um acordo com o banco britânico multinacional, Barclays Group, tornando-se o principal patrocinador da primeira divisão do futebol feminino no país, Women’s Super League. O Barclays foi o principal patrocinador da competição masculina entre 2004 e 2016, e ainda continua como um dos grandes patrocinadores do campeonato.

O acordo que segundo a BBC tem por volta de dez milhões de libras, o que equivale a 49 milhões de reais, tem validade até 2022 e já tem início na temporada 2019/2020 e ambas as organizações ainda pensam em investir em um projeto para o futebol feminino nas escolas.

Enquanto na Inglaterra, se dá mais um passo para o fortalecimento do futebol feminino, a realidade aqui no Brasil é diferente.

Além de termos equipes formadas inicialmente por conta de uma regra que obriga alguns clubes a terem equipes femininas e a extinção da Copa do Brasil feminina, por falta de volume de jogo, agora temos mais uma barreira para os times femininos: a falta de patrocínio.

Se na Inglaterra tem investimento e parceria, no Brasil falta quem abrace o campeonato. A CBF, bancará as competições serie A1 e 2, além do sub-18 que começará em julho. Além das premiações para quem for avançado de fase e para o vice e campeão, fica a cargo da organização ajudar até nos custos com as despesas, como viagens, hospedagens e, até mesmo alimentação, coisa que não acontece no futebol masculino.

A Confederação Brasileira de Futebol, ainda segue em busca de patrocínio, como também direito de transmissão, ao qual já foi fechado com o Twitter a transmissão de um jogo por rodada. Segundo a CBF, há um maior interesse dos clubes, mas por quem vê tudo de fora dos bastidores não é assim que parece. A grande divulgação da contratação de Cristiane no São Paulo, é o que dá uma esperança para que a coisa comece a funcionar. Mas será que não está na hora dos clubes sentarem junto a CBF e começarem a pensar no patrocínio?

Foto: CBF/ FIFA