A volta ao Brasil de Paulo Henrique Ganso

Nem sempre a vida longe de casa é fácil, e ainda mais, quando encontra-se caminhos pesados nessa nova moradia. A vida do meia paraense Paulo Henrique Ganso é um exemplo de que às vezes precisamos manter a calma.

A joia da base do Santos, começou a carreira no futsal na Tuna Luso Brasileira, time da capital do estado do Pará, depois atuou no futebol de campo Paysandu Sport Club até ir para São Paulo, mais precisamente, Santos. Ídolo da torcida santista, e também paraense, Giovanni viu no meia um “um craque”, como descreveu em 2010.

Trajetória no Santos

Parecia até que o gramado da Vila Belmiro estava prevendo os novos raios que iriam chegar. Não bastava ter Neymar. Tinha que ser Neymar, Ganso, André e a volta do Robinho, na sua segunda passagem ao time alvinegro praiano. Foram peças que se encaixaram e deram certo, ou talvez, mais que certo.

Dizia-se, e acreditava-se, que o Ganso iria ser melhor que o Neymar. Um herdou a camisa 10, que um dia foi do Pelé, o outro ficou com a camisa 11 que um dia foi de Pepe. Grandes amigos de concentração, de clube, de base.

Neymar e Ganso não tinha só a amizade de campo, a troca de olhares de um passe para gol ou uma conversa para cobrança de falta. Eram irmãos. “Eu tenho orgulho de falar que eu já concentrei, sou amigo e já ganhei com Paulo Henrique Ganso”, disse Neymar na vitória do Santos sobre o Peñarol na final da Libertadores de 2011.

Trajetória no São Paulo

Depois do prata nas Olímpiadas de Londres, em 2012, Neymar e Ganso voltavam para Santos e o meia se despediu da torcida e do companheiro de equipe. “Saio com o sentimento de dever cumprido, sei que fiz o melhor pelo Santos, fiz tudo o que eu podia”, disse na despedida ao time alvinegro.

Paulo Henrique deixaria de atuar nos gramados da Vila Belmiro e passaria a jogar no Morumbi. Deixou a camisa 10 do Santos para jogar com a camisa 8. Estreiou em novembro, dois meses depois da contratação, e ainda era reserva do time comandado, na época, pelo técnico Ney Franco.

Passaporte para a Europa:

– Primeiro destino: Sevilha

À pedido do técnico argentino Jorge Sampaoli, Ganso assinaria contrato com o time sevilista por cinco temporada em julho de 2016. Nesta temporada, atuou durante 13 jogos marcando três gols sendo que, entre essas 13 rodadas, passou 100 dias sem jogar.

Na temporada 2017/18, atuou 11 vezes e marcou quatro gols.

– Segundo destino: Amiens

Depois de atuar somente uma vez pelo Sevilla nessa temporada, Ganso e a família mudaram-se para terras francesas. O meia assinou um contrato de empréstimo de uma temporada pelo Amiens, time da cidade ao norte da França.

Pelo clube francês, atuou o mesmo número de vezes da sua primeira temporada pelo Sevilha e sem marcar gols.

Em janeiro deste ano, o Fluminense anunciou sua contratação. Era hora de voltar ao Brasil.

“Iiiiiiih o Ganso tá vindo aí…”

Paulo Henrique Ganso já passou por duas cirurgias no joelho, não teve um futuro como muitos previam ser melhor do que o companheiro do seu primeiro time, nem tão pouco, uma boa relação com o técnico que fez o pedido da sua ida ao time da Espanha. Mas, foi um dos reforços de peso para a temporada do tricolor carioca a pedido do técnico Fernando Diniz.

“É diferente de tudo que eu já atuei no futebol”, disse. Para o paraense, o técnico foi essencial a sua decisão de assumir a camisa tricolor. “Ele é uma pessoa que quer que o atleta jogue futebol. Não quer só a função tática. Óbvio que isso é importante para o futebol. Mas o principal do futebol é se divertir.”.

Gansou atuou durante os noventa minutos do jogo da sua estreia contra o Bangu pela Taça Rio. Não teve gol, mas participou de algumas jogadas. Ele carrega nas costas o número da camisa que um dia foi do ídolo tricolor Rivelino que avisa: “Você tem dez que corre e ele pensa. É isso que o Diniz espera dele”.

Que a estrela do “Showman”, como o camisa 10 da Seleção Brasileira o apelida, volte a brilhar e que quem sabe ele possa voltar a atuar pela amarelinha.

Foto: Lucas Merçon/Reprodução: Netflu.com.br