A novela sobre o uso do árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro

Por: Akemy Morimoto

O uso da tecnologia chamada Vídeo Assisted Referees (VAR), mais conhecida como árbitro de vídeo, tornou-se um tema muito recorrente e polêmico no futebol mundial, principalmente após a Copa do Mundo de 2018. Mas quando se trata de futebol brasileiro, o assunto fica ainda mais contestável, devido ao conservadorismo dos clubes e da própria CBF. Em 2018, no Campeonato Brasileiro, houveram vários debates ao longo dos jogos sobre a necessidade do árbitro de vídeo. Agora, em 2019, é esperado que não seja diferente.

Foto: Internacional 2 x 2 Santos  Crédito: Ricardo Duarte/Internacional

Em fevereiro do ano passado, o assunto já havia sido debatido no conselho técnico da CBF, porém somente sete clubes foram a favor do VAR. Mas o cenário mudou ao longo de 2018. Faltando apenas seis rodadas para o fim do Campeonato Brasileiro, o assunto voltou à tona. Após uma série de falhas dos árbitros, a direção do Internacional decidiu reivindicar novamente pelo uso do VAR. Os protestos começaram na 30ª rodada do Brasileirão, contra o Santos, que resultou em 2 a 2, e os dirigentes do clube gaúcho reclamaram da demora do árbitro Ricardo Marques Ribeiro para sinalizar impedimento e anular o gol de Leandro Damião, que poderia ter dado a vitória para o colorado. Contra o Vasco, o Internacional criticou o pênalti no jogador Kelvin, que resultou no empate do jogo em 1 a 1. No final da partida contra o Atlético Paranaense, mais uma polêmica, desta vez a favor do Inter: um pênalti marcado sobre Rossi.

O time do treinador Odair Hellmann se mantinha vivo na disputa pela taça do campeonato e estava apenas cinco pontos atrás do Palmeiras, líder e campeão brasileiro de 2018. Por isso, mais do que nunca, não queria sofrer as consequências dos erros arbitrários e solicitou a implementação do VAR nas últimas seis rodadas da competição. O Internacional teve o apoio de 19 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, que concordaram em assinar o documento para a instalação do VAR. Apenas o Vasco discordou. O pedido foi negado pela CBF após uma reunião na sede da confederação, no Rio de Janeiro. A instituição alegou a impossibilidade de uso do técnico de árbitro na reta final do Brasileirão de 2018 devido à soberania de regulamentação do campeonato e à dificuldade de implementar o VAR em todos os 60 jogos das últimas rodadas. Porém, não negou a importância do movimento e ressaltou também que deveria ser uma proposta a se pensar para 2019.

Foto: Reprodução

O ano já virou, e em janeiro a CBF divulgou que ia abrir concorrência para escolher a empresa de fornecimento do serviço de árbitro assistente de vídeo para o Campeonato Brasileiro de 2019. O projeto, que é coordenado pela empresa Ernst & Young, tem como objetivo dar detalhes sobre equipamentos, valores e necessidades para os 20 times da Série A. A decisão sobre o uso do VAR deve ocorrer no Conselho Técnico da Série A, ainda neste mês. O projeto tem como objetivo usar a tecnologia nos 380 jogos do Brasileirão e tem um custo estimado de R$ 17 milhões, que a CBF não cogita desembolsar. Com isso, a quantia deve ser paga pelos clubes.

O uso do árbitro de vídeo não elimina as possibilidades de erros e interpretações diferentes, mas faz com que os juízes possam avaliar as situações como gols, pênaltis, aplicações de cartão vermelho e identificações de atletas da melhor maneira possível. Além disso, eles veem os lances dos jogos da mesma forma que o torcedor assiste pela TV, com a possibilidade de slow motion, replays e visões diversas dos lances. Os investimentos nesse sistema, apesar de custar cerca de R$ 17 milhões no Brasileirão, previne os erros de arbitragem que assombram o futebol brasileiro há décadas. No final das contas, torna-se um benefício para o bom senso e para o fair play.