Nuvens cinzas no Parc des Princes e céu azul no Old Trafford: retrato de Manchester United x PSG pelas oitavas de final da Champions League

Engana-se quem pensa que Manchester é, aparentemente, uma cidade totalmente cinzenta. Para o lado do bairro de Trafford, os Red Devils estão começando a tirar as nuvens cinzas que pairavam sobre o estádio. Antes mesmo do sorteio para as oitavas de final da Champions League, muitos achavam que o time – na época – comandado pelo português José Mourinho não iria passar para as fases finais da competição, ao contrário, do time comandado pelo alemão Thomas Tuchel. Apesar da derrota, logo na estreia por 3×2 para o Liverpool, as outras cinco rodadas renderam três vitórias e dois empates.

No dia 17 de dezembro, em uma segunda-feira comum, a UEFA realizou o sorteio entre os classificados e, na definição, o PSG enfrenta o Manchester United. A última vez que o Red Devils pôde levantar a Orelhuda e consagra-se campeão foi em 2008 em um duelo de ingleses, contra o Chelsea. Ao contrário do time parisiense que busca seu primeiro título.

Então por que azar de uns e sorte de outros?

Já ouviram falar que às vezes não é bom comemorar tão cedo? Acredito que sim. O futebol realmente é uma caixinha de surpresas e as decisões podem ser tomadas até mesmo antes do apito inicial.

Quando definido o confronto, muitos acreditavam que a decisão já estaria certa. O favoritismo do time do capitão Thiago Silva era visível até mesmo em enquetes feitas em redes sociais. O Manchester United não estava passando por uma fase muito boa na Premier League, o então técnico estava ameaçado de ser demitido, os rumores de briga entre Mourinho e Pogba aumentavam, e a última derrota, no clássico contra o Liverpool, antes do sorteio deixou uma pergunta: por que não tirar o técnico o português?

A resposta veio um dia após o sorteio e dois dias após a última derrota do time no campeonato inglês. José Mourinho era demitido, o noruguês Ole Gunnar Solskjær entraria no seu lugar e tudo passaria a mudar.

O lado do Paris Saint-Germain era bem menos complicado. Invicto e líder disparado no Campeonato Francês, o time do trio Neymar, Cavani e Mbappé não tinha totalmente a receita certa para as vitórias, mas eram 16 rodadas de invencibilidade no campeonato nacional até o sorteio. Um bom resultado, não?

O jogo virou?

Estávamos falando até agora de dois times que não se enfrentaram, ok, realmente falta algumas horas para isso acontecer. E falávamos também que ambos, antes da definição do confronto, viviam duas realidades diferentes.

Mas, 2019 chegou e muita coisa andou mudando para ambos os lados. De repente, aquela maré baixa presente pelos Red Devils atravessou a Inglaterra e chegou a Franças, mais precisamente, Paris.

Foram 44 vitórias, isso mesmo, 44 vitórias de invencibilidade em Copas Nacionais até o dia dez de janeiro. Por todos os conflitos envolvendo o governo parisiense, alguns jogos do PSG tiveram que ser transferidos para este ano, e o time só voltou a campo pela Copa da Liga da França no dia dez de janeiro em casa. Parc des Princes lotado, Ultra (a torcida organizada gritando a todo vapor), mas havia algo que detectava um defeito: seria o meio campo? A falta de um volante já que Adrien Rabiot não estava treinando com o elenco principal? A derrota para o Guingamp ligou um alerta.

Departamento médico vira inimigos dos parisienses

Depois do volante italiano Marco Verrati, outro jogador importante que parou no departamento médico, por motivos mais graves foi o atacante Neymar. Dessa vez, em partida pela Copa da França, contra o RC Strasbourg, o atacante foi substituído antes dos trinta minutos do segundo tempo com dores na mesma região em que operou no ano passado. Em nota oficial publicada pelo clube, dias após a lesão, Neymar fará tratamento convencional e só voltará a campo em dez semanas.

Mesmo que a lesão tenha sido algumas semanas antes do jogo contra o time inglês, deixando que o técnico Tuchel pudesse pensar em estratégias para compor o time sem o camisa 10, no último sábado (09), em partida contra o Bordeaux, o camisa 9 da equipe parisiense sentiu um desconforto no quadril e foi substituído logo ao marcar o único gol do jogo. Em nota, o PSG confirmou que foi uma lesão no tendão do quadril direito e o uruguaio nem viajou com a delegação a Manchester.

A próxima baixa na equipe de Tuchel é o belga Thomas Meunier que sofreu uma leve concussão e passará por exames no próximo fim de semana. São quatro desfalques importantes, contando com o volante francês Adrien Rabiot que não vive em harmonia com os diretores do clube.

O primeiro confronto, marcado para daqui a pouco, às 17h vai trazer em campo muitos desafios. Talvez o clima tenha mudado, o nublado passou a ser mais presente no céu parisiense do que na terra da Rainha. O que não podemos negar é que a Champions voltou trazendo desafios. Os desafios de querer conquistar a tão sonhada Orelhuda.

Fonte: Futebol na Veia