A cada dia quebramos barreiras e muros que insistem em dizer que o futebol é coisa de menino

Roseane Amorim e Verônica Severino formaram a equipe de arbitragem no jogo estadual do Campeonato Acreano na partida que aconteceu neste domingo (03). Roseane era jogadora e decidiu parar de jogar após fazer o curso de arbitragem. Segundo ela, foi motivo de felicidade atuar como uma mulher na partida de futebol. Verônica Severino está na profissão há seis meses e relatou que sofre preconceito por atuar em um esporte que é visto por muitos como prática masculina.

Equipe de arbitragem que atuou no Campeonato Acreano

A presença das mulheres no esporte vem tornando-se cada vez maior em todas as modalidades. Mesmo assim, o preconceito contra as profissionais e atletas da área ainda é muito presente. Sabemos que a diferença com mulheres no futebol vai existir sempre. Nunca vai acabar, no entanto, pode diminuir com um maior número de inserções de mulheres no meio futebolístico.

A primeira árbitra de futebol credenciada pela FIFA foi Asaléa Campos Micheli, nasceu em uma época em que as mulheres eram proibidas por lei a praticarem esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza”. Sem nenhuma intenção de jogar, a mineira se formou árbitra em 1967. Encontrou brecha no decreto-lei n° 3.199, de 1941, que dizia não ser “permitida a prática feminina de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo, halterofilismo e baseball”.

Léa Campos, como é chamada, foi a primeira árbitra de futebol no mundo de que se tem conhecimento. “Eu me sinto feliz quando uma mulher é escalada, seja como auxiliar, seja como árbitra central. Elas passaram pela porta que abri e fico muito orgulhosa por isso”, retrata Léa Campos.

Em 1974, Léa sofreu um acidente que prejudicou a sua carreira. Com dificuldade de locomoção por dois anos, usou cadeiras de rodas. Em sua trajetória, o protagonismo de Léa Campos diz que a presença das mulheres na arbitragem é um direito de quem deseja seguir a profissão.
Sabemos que a sua presença nos campos abriu caminhos para que muitas mulheres possam concretizar este desejo, pois faz ver que não existem justificativas plausíveis que limitem ou impeçam essa atuação, senão o preconceito e a ignorância.

Asaléa Campos: primeira arbitra

Por isso torna-se fundamental narrar a sua história e reconhecer a importância que está mulher tem para a história do esporte brasileiro.

Nós, que amamos o esporte, devemos muito à Léa Campos e tantas outras mulheres que lutaram pelo nossos direitos. Há muitas outras que marcaram a história do futebol com atitudes, medalhas e tantas outras coisas que se superam todos os dias, sem reconhecimento.

Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive, na luta por respeito!