CBF prepara implementação de Fair Play financeiro em 2020

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda a implementação de controle financeiro para times da série A; É esperado que os clubes enquadrem-se as novas regras do “Fair Play Financeiro”, inspirado no molde do sistema da UEFA, dentro de um ano (2020).

Segundo informações do Blog do Jornalista, Rodrigo Mattos, do UOL, a base do projeto é controle de déficit e dívidas. Além disso os clubes deverão apresentar seus CNDs e não poderão ter atraso de salários dentro das novas regras. O problema é que grande parte dos clubes brasileiros possuem dificuldades em cumprir os requisitos básicos.

“Com certeza, começa a implantar o fair play em 2020. Quais vão ser as regras é que vamos definir. Contratamos o César (Grafietti) e já temos a Ernest para analisar os balanços e ver o que pode implementar. Não adianta botar algo que os clubes não podem cumprir.”, contou o diretor do departamento de registro e transferências da CBF, Reynaldo Buzzoni.

O Fair Play financeiro da UEFA é uma grande pedra no sapato dos clubes da Europa, então, vamos deixar todos a parte do regulamento base desse controle financeiro que aborda 2 princípios:

1 – Nome Limpo – os clubes classificados para campeonatos UEFA devem comprovar não possuir dívidas, seja ela com outros clubes, com jogadores ou autoridades fiscais;

2- Controle de gastos – O clube não pode gastar 5 milhões de euros além do que arrecadar no período da avaliação, que é durável por 3 anos. No caso de times onde os donos tenham patrimônio como garantia do pagamento, o valor pode ser aumentado para 30 milhões de euros durante os 3 anos.

Este modelo que a CBF busca usar como espelho para o futebol brasileiro a fim de melhorar a saúde financeira dos clubes, como afirmado por Grafietti para o blog do UOL: “Para 2019, estamos pensando no modelo. Para 2020, vamos pensar na implantação. O objetivo é entregar no primeiro semestre um modelo pronto. Estou falando com a UEFA, estou vendo o que fizeram para evitar erros que cometeram no início. Quero ouvir as histórias deles”.

Entretanto, a matéria também evidencia que a temporada de 2020 será um ano de adaptação por meio dos clubes, e serão tomada por medidas mais brandas em relação ao futuro, mas ainda sim, duras visto o cenário atual, advertências e multas podem tornar-se corriqueiras dentro de um ano aos times que não se adequarem as novas regras. Todavia, nos anos seguintes, instituições que desrespeitarem as regulamentações poderão ser proibidas de contratar em determinadas janelas, terem seus elencos limitados ou até serem proibidos de disputarem um campeonato.

Outro ponto importante que a CBF está levando em conta é a venda de jogadores. No caso, a dúvida consiste em: “a venda de jogadores deve entrar no balanço dos clubes?”. Na Europa isso não existe, mas levemos em conta que o Brasil é, historicamente, um dos maiores reveladores de talento do futebol.

“Venda de jogador deve contar para o efeito de déficit? Vai ser incluído ou não? Tem que definir um critério. Na Europa, não é incluído, mas temos que levar em conta que somos um país que forma jogadores”, frisou Alexandre Rangel, da Ernest & Young.

O que deixa a preocupação em relação a este “Fair Play Financeiro” é se os times brasileiros conseguirão liquidar suas dívidas para se encaixar na regulamentação da CBF. Segundo os balanços do ano passado, times como Botafogo e Internacional devem mais de R$ 700 milhões, até o Palmeiras, atual campeão nacional, deve mais de R$ 400 milhões.

Dentre todas as regras apresentadas pela CBF para o ano de 2019, a confederação estuda as financeiras, mas algumas já começaram a entrar em vigor, como a criação dos times femininos, aluguel ou ter seu próprio centro de treinamento (não pode treinar em estádios), iluminação mínima nos estádios de 800 lux, e estrutura profissional na administração, com CEO e diretor financeiro.

fonte: GaúchaZH