Atletiba do caos: torcida única – até onde a modernização vale a pena?

O bom e velho futebol já não é o mesmo há um tempo e nós sabemos disso, mas até que ponto a modernização vale a pena? O Brasil se divide em opiniões nessa questão: uns preferem o futebol raiz, outros o futebol moderno – ou nutella como gostam de chamar.

Essa semana ocorreu uma polêmica no Campeonato Paranaense, no clássico Atletiba, em que o Coritiba solicitou uma carga de 10% de ingressos para o jogo, mesmo com a medida de torcida única utilizada pelo rival Athletico. Toda essa discussão de torcida única, ou torcida humanizada, fez com que Samir Namur, presidente do Coritiba, procurasse os direitos do clube e do torcedor coxa-branca para assistir ao clássico na Arena da Baixada. Entre muitas discussões, cutucadas em redes sociais e procura ao TJD, acabou como estava no começo e o jogo transcorreu em torcida única.

Em resposta, o vice-presidente do clube do Athletico, Márcio Lara, disse que seria disponibilizada uma carga física de 4.030 vouchers para a troca por ingressos. Porém, esses ingressos estariam numerados e espalhados por todos os setores. Sendo assim, no dia da partida, não teria um espaço destinado exclusivamente à torcida visitante na Arena da Baixada. Ainda segundo o ofício enviado pelo Athletico ao Coritiba e para os órgãos responsáveis – Federação Paranaense de Futebol e segurança pública –, o clube assegurou que não seria permitida a entrada de torcedores com vestimentas e adereços que façam referência ao Coritiba de forma direta ou indireta. De tal modo, o torcedor alviverde não poderia sequer entrar na Arena da Baixada vestindo uma simples camisa verde.

O Coritiba chegou a sugerir WO, ou até multa se o Athletico não acatasse ao pedido do TJD de ter um espaço para visitantes, o que não aconteceu. O próprio Athletico sugeriu ao rival que entrasse nessa campanha sugerida pelo Ministério Público, para diminuir a violência dentro e aos arredores do estádio. Porém, as notícias que escutamos foram diferentes de algo “humanizado”. Torcedores dos dois clubes, indignados com a situação, sabendo que esse poderia ser o único Atletiba do ano, se confrontavam nas redes sociais. Brigas e confusões tanto dentro como fora da Arena foram registradas e noticiadas, se tornou um caos completo.

O que vimos foram pontos negativos apenas, a situação só fomentou os que querem brigar e a culpa sempre recai sobre os times ou suas torcidas organizadas. É muito mais fácil você culpar um clube, ou mesmo uma organizada, ou fazer com que os torcedores cumpram regras quando o que falta mesmo é policiamento. Infelizmente, estamos longe de vencer a violência, mas ela pode ser reduzida com bom preparo nas ruas. Não vai ser impedindo um torcedor de ir gritar pelo seu time no estádio rival que isso vai acontecer, até porque a maioria das brigas ocorrem fora e em terminais de ônibus. Esse tipo de “modernização”, em minha opinião, só serve para cegar ainda mais o povo para a realidade do país e destruir uma festa linda que é a das arquibancadas.

Fonte: Esportes Banda B

O jogo

Para aumentar a polêmica, o Coritiba entra com protesto na camisa dos jogadores contra a proibição da entrada de torcedores visitantes na Arena: “torcida humana, ideia pathetica”. Um torcedor do Athletico na arquibancada rasga a camisa “CAP Gigante”, que era a chapa de apoio ao Mario Cesar Petraglia. A energia realmente estava pesada.

Em campo, os jogadores se estranham e a partida parecia controlada pelo Alviverde, mas aos 26 minutos, João Vitor exagerou na entrada e foi expulso, deixando o Coxa com um a menos em campo, o que claramente fez diferença no jogo. No final, o Coritiba acabou dando a melhor resposta possível, mostrou um futebol superior e acabou vencendo o rival por 1 a 2, com um a menos.

E você? Concorda com a torcida única?

Fonte: Globo Esporte