A pequena dribladora da desigualdade no futebol

O ano é 2019, o século XXI, vivemos a era pós-moderna, e mesmo assim, as mulheres ainda estão em desvantagem perante aos homens quando o assunto é igualdade social.

Como de costume, aqui no Rainhas, estamos sempre abordando sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, tanto como espectadoras e amantes do esporte, quanto como atletas. Hoje, o assunto é bem mais leve, e ao mesmo tempo, cheio de atitude e exemplo. Vamos conhecer a menina Natália Pereira, uma garota de nove anos que já está driblando as barreiras de desigualdade no futebol.

Em outubro do ano passado, a história da pequena já foi contada pelo Globo Esporte e recebeu até um recado de sua grande inspiração, a rainha Marta. Na época, Natália disputava a Liga de Futsal da Grande Florianópolis sub-9 e também em um time masculino. Ela era artilheira da categoria que tinha cerca de 900 garotos.

Natália, realizou testes em uma peneira do Avaí, com garotos nascidos em 2008, ou seja, um pouco maiores que ela. Mesmo assim, a garota foi aprovada, e segundo Diogo Fernandes, coordenador geral das categorias de base, a menina tem forte potencial destacando-se entre os demais e chegando bem perto do nível dos meninos mais velhos com quem jogou sendo esse o fator que a fez ser aprovada:

“Ela tem grande potencial e foi aprovada por isso. Não por ser mulher, mas pela qualidade, pelo destaque, o que é muito bom para ela e também para o Avaí”, afirmo em entrevista ao site oficial do clube.

De acordo com o Avaí, ela atuará em torneios de futebol de campo e de quadra, além dos treinamentos no clube, ela seguirá participando de atividades do Centro Olímpico de São Paulo, local onde ela também foi aprovada e treina uma vez por mês.

Tudo isso não é à toa. Por ter somente nove anos, Natália pode não saber o quão significante ela está sendo no momento, o quão importante é sua historia. Mas vamos parar para pensar um pouco:

A verdade é que tudo começa quando, ainda menina, nós mulheres somos rejeitadas a participar de uma partida de futebol com ou contra os meninos. E isso vai além, pois mesmo que tenha time de base de equipe de futebol feminino no Brasil, em que sua maioria começa somente aos 14 anos ou mais, as categorias femininas são pouquíssimas. Também ocorre dos campeonatos e torneios para times de base femininos serem quase inexistentes e podemos falar o mesmo quanto ao patrocínio.

A pequena Natália vem a ser, assim como Marta e companhia, uma fonte de inspiração para outras meninas que gostam de futebol e sonham estar em campo. A mensagem que esta menina nos passa é também que um “a” ou “o” não interfere no talento. Não à toa, ela é a primeira menina a jogar nas categorias de base de uma equipe masculina.

Reprodução: André Palma Ribeiro /  Avaí