A invisibilidade está cada vez mais visível

Você sabia que o futsal é uma das modalidades esportivas mais praticada pelos brasileiros? E isso ocorre principalmente por conta das aulas de Educação Física e espaços públicos.

Mas o futsal, assim como o futebol, sempre foi generificado, e sua estrutura de jogo reflete em concepções de masculinidade, impondo uma resistência às mulheres que praticam. Não entendeu? A gente explica.

Vamos imaginar que você está passando por uma quadra e vê alguns meninos jogando. Ao lado da quadra, algumas meninas estão observando o jogo e demonstram interesse em participar. O que você acha que aconteceria?

A – Eles convidariam as meninas para jogar ou até mesmo revezar a quadra.

B – Eles continuariam jogando e nem iriam ligar para as meninas.

No ponto de vista atual, o que mais acontece ainda é a situação B, e isso pode ser comprovado se você questionar alguma menina que se insere na prática do futsal ou futebol.

Este contraste, no que se diz a respeito das condições e possibilidades, é gigante, e no cenário atual, muitos times contam com atletas que não recebem salários e trabalham em outras ocupações para receber uma remuneração, o que influencia também na qualidade técnica dentro das competições, além das desistências no meio do caminho.

Não precisa de muito para saber disso, afinal, se fosse para listar jogadores do futebol ou do futsal masculino, nomes como: Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, Falcão, Lenísio, Tobias, seriam lembrados, mas quando se trata do feminino…

Tudo bem, provavelmente você lembrou da Marta, Formiga, Cristiane… mas e as outras meninas do futebol? E do futsal? Infelizmente as mulheres ainda são invisíveis neste cenário e nós precisamos mudar isso.

Em uma matéria recente, a ganhadora do prêmio Futsal Planet nos últimos cinco anos, Amandinha, de 24 anos, abriu o jogo e compartilhou que ganha menos de R$ 5 mil reais, e que cursa fisioterapia, não sobrevivendo integralmente do futsal.

Agora, se uma atleta com prêmios mundiais individual e pela seleção ganha este salário, imagina aquelas que estão em clubes e que disputam torneios regionais. A situação ainda é precária e precisa de mais atenção e menos preconceito.

O futebol é um esporte, não tem gênero, classe ou cor. A proibição em relação a mulher praticar a modalidade já acabou há tempos, não pode-se tolerar ainda este tipo de comportamento de quem acredita que há uma classificação para jogar.

Elas ainda são invisíveis, mas já estão conquistando o mundo e ninguém está reparando.

Imagem: Fom Conradi