A base? Vem forte!

Eu escutei durante alguns meses, depois da eliminação do Brasil na Copa de 2014, que deveríamos nos espelhar na Alemanha para construirmos uma base melhor aos nossos futuros jogadores. Na época, eu quis entender como ou por quê.

Por que o Brasil, que tantas vezes encantou o mundo com o seu futebol irreverente, que mesmo não sendo campeão do mundo no ano era citado como exemplo e que carrega no peito o único país que participou de todas as Copas do Mundo e o único com cinco títulos mundiais, teria que agora ter um espelho? Foi então que eu entendi que o futebol muda.

Pensando nisso, eu decidi falar um pouco sobre o que nós devemos olhar desde o início: a base. Já parou para pensar em quantas vezes nós olhamos um jogador e anos depois ele está em uma Copa do Mundo? Ou jogando em um time de primeira divisão europeia? A Copinha é assim. É o nosso olhar para o futuro.

Mas você deve se perguntar: “A Copa São Paulo revela craques em clubes e na Seleção Brasileira?”. Eu separei um campeonato em especial: o Sul-Americano sub-20. Parece que eu consigo enxergar o calendário de longe e separar as datas: Copa São Paulo, Sul-Americano sub-20 (a cada dois anos) e estaduais logo em janeiro. Enquanto a Europa está na metade da sua temporada, nós iniciamos mais uma.

Em sua 29ª edição, o Brasil guarda 11 títulos além de ser o maior vencedor do torneio, seguido do Uruguai com oito. Se perguntarem qual a maior memória que eu tenho do Sul-Americano sub-20, eu respondo que é aquele time de 2011. O time, que por sinal, foi o último campeão brasileiro. De lá pra cá, não temos muita sorte nesse campeonato.

O Sul-Americano Sub-20 não é um campeonato como outros com fase de grupo e depois fases finais. Claro, existe um campeão e um vice, só que não da forma que normalmente conhecemos.

As dez seleções são separadas em dois grupos de cinco e cada um joga cinco rodadas. Os três primeiros dos dois grupos se classificam para uma fase conhecida como hexagonal. Nessa fase, torna-se a ter cinco jogos em cada partida. Os resultados equivalente a essa última fase determinam o campeão e a classificação para o Mundial Sub-20. Confuso não? Confesso que eu demorei a entender.

Agora, eu pergunto: você lembra de alguma vez ter assistido? Vamos relembrar o último ano e a trajetória de lá até hoje.

Em 2011

O Peru seria o palco para as estrelas brilharem. Ney Franco, na época técnico da categoria de base até 20 anos, convocou 25 jogadores e depois reduziu a lista para 20 conforme os treinos na Granja Comany, em Teresópolis. Dessa lista, muitos nomes conhecidos foram chamados.

Já imaginou um Cartola com Neymar, Casemiro, Phillippe Coutinho, Oscar e Lucas Moura no seu time? E logo no primeiro jogo o Neymar faz quatro gols? Depois vira artilheiro com nove ao total? Era exatamente esse time, com mais outros nomes, que consagraram o Brasil com seu décimo primeiro título.

Em 2013

Como em 2012 Londres cederia as Olimpíadas, não houve a competição. Em 2013, o Brasil não passou para a fase hexagonal permanecendo em quinto lugar, no grupo B, com uma vitória, um empate e duas derrotas.

Em 2015

O futebol brasileiro estava em desconfiança. Um ano depois de sofrer sete gols diante da Alemanha e mais três da Holanda, na disputa de terceiro lugar, em casa, a chance da base era uma expectativa.

Nesse ano, o Brasil conseguiria passar para a fase hexagonal, garantindo o quarto lugar.

Em 2017

Na época, Rogério Micale (técnico do ouro inédito nas Olimpiadas do Rio 2016) convocaria nomes como Guilherme Arana, Lucas Paquetá e Felipe Vizeu, entre outros. Na competição, o Brasil ficou na penúltima posição perdendo a vaga para o Mundial.

Dois anos depois, volta a ter Sul-Americano e a esperança que possamos alcançar tanto o 12º título além da ida ao Mundial. Dessa vez, o técnico Carlos Amadeu não pode contar com Vinicius Junior já que o Real Madrid não liberou o atacante.

No entanto, outro nome citado é do futuro jogador madrileno Rodrygo Goes. Com 18 anos, o atacante do Santos e camisa 10 na equipe de Carlos Amadeu, diz que não há comparação entre ele e seu ídolo, Neymar, e antes de se mudar para Madri, garante está focado na competição sul-americana: “Primeiro, quero fazer um grande trabalho no Sul-Americano sub-20, sair com título e fazer uma grande competição individualmente”.

Ontem, Rodrygo e os companheiros ganharam sua primeira disputa. No grupo A da competição e depois do empate com a Colômbia em zero a zero, a Seleção Brasileira venceu a Venezuela com dois gols do atacante santista, mas Carlos Amadeu mantém os pés no chão e garante que não pode-se cobrar somente do Rodrygo.

A verdade é que nem sempre somos campeões nas competições, mas a revelações da base brasileira garante entusiasmos até mesmo em europeus. Lucas Paquetá, por exemplo, está jogando no Milan, Vinicius Junior – que já recebeu elogiou do atacante francês Benzema –, o próprio Rodrygo, que muda-se para Madri na próxima temporada europeia, são nomes para a Seleção daqui para frente.